Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



24/09/12

Até já... noutro sítio

O 'Jornalismo Positivo' chega hoje, oficialmente, ao fim.

Nos últimos tempos, o positivismo não tem sido fácil de encontrar, seja no jornalismo ou onde quer que seja. Isso não invalida que continue a preferir o sim, o sol e o sorriso ao não, à escuridão das mentes e ao cinzentismo das caras fechadas. E não invalida que continue a lutar pelas boas notícias e pelo otimismo.

Em breve estarei de volta com outro projeto e noutro registo.
Obrigado a todos os que por aqui passaram.

Até já.

09/03/12

Crónica de fevereiro na Volta ao Mundo

No Nada a Declarar de Fevereiro, na revista Volta ao Mundo, resolvemos dedicar as crónicas à Sedução em Viagem. Eis o que me saiu da cartola. Espero que gostem.

Deixe a sua mensagem após o sinal

Maria não tinha um nome tipicamente inglês, mas era-o. Não se vestia com pouca roupa quando saía à noite, como o faziam muitas das suas compatriotas nas ruas, bares e clubes de Manchester. Dançava num bar quase vazio com o irmão ao balcão a virar ‘pints’ a ritmo considerável. ‘Connected’, dos Stereo MC’s era a banda sonora quando se iniciou o ritual de aproximação. A letra ajudava. O ritmo ainda mais. Ao fim da noite, rascunhou no bloco de apontamentos um número de telefone. “Call me”. E saiu três músicas depois.
Justin Timberlake não assistiu a nada disto, refém que estava no bar do hotel no centro da cidade. À volta do prédio ainda eram algumas as fãs que esperavam por um autógrafo ou uma fotografia ao lado do cantor norte-americano. Tínhamo-lo encontrado poucas horas antes, quando partilhávamos um elevador e nos questionávamos sobre qual de nós teria guardado o recibo do táxi. Ele, cabisbaixo, quase que a esconder-se, subia para o quarto na companhia de um segurança e de uma loira. Provavelmente sua assistente. Ou não.
Na noite seguinte bebemos um copo ou dois no bar do hotel para contemplar o ambiente criado pela entourage do ídolo pop. Divertido quanto baste, com Justin sempre rodeado de gente. Sair à noite em Manchester, para a estrela da música, seria impossível. A menos que reservasse um bar só para ele e para os amigos. Para nós, foi fácil. Bastou transpor a porta e procurar uma alternativa agradável, um bar cujo nome já desapareceu da memória. Era numa cave. Com uma pista de dança onde Maria tinha dançado há 24 horas, antes do convidativo “Call me”.
Nunca consegui fazer a chamada.
Maldito roaming, malditos indicativos internacionais. Marquei um ‘zero’ a mais antes do número rascunhado no bloco de apontamentos.


03/02/12

Crónica de Janeiro na Volta ao Mundo

Desde o início do ano, tenho o prazer de partilhar com a escritora Raquel Ochoa e o jornalista Ricardo J. Rodrigues, uma dupla página de crónicas na revista para viajar mais lida em Portugal, a Volta ao Mundo.
Nada a Declarar foi o nome escolhido para esta secção onde contamos histórias, percalços e imprevistos das nossas viagens um pouco por toda a parte. Todos os meses escolhemos um tema comum e começámos por "Como os portugueses são vistos lá fora". Espero que gostem.


                                          Ilhas Galápagos, Equador

Barquinho de Babel

Éramos doze. Num barco.
Quatro cabinas para oito passageiros e uma camarata para três tripulantes e um guia. À volta, a terra não se avistava. Só a noite escura e o mar negro das ilhas Galápagos.
E um motor que não funcionava.
Seria perto da uma da manhã. O barco estava à deriva.
Uma japonesa, uma inglesa, dois suíços, um par de holandeses e uma dupla de portugueses. Quatro equatorianos completavam o plantel. Um deles estava na água, emergindo e submergindo, com máscara, tubo e uma chave de fendas. Ia por tentativas, procurava a peça certa para desapertar.
El Comandante, o líder da embarcação, dava instruções. «Está tudo bem», dizia Freddie, o guia. «Podem dormir descansados, em pouco tempo estará a funcionar.» E o barco à deriva.
A japonesa não falava espanhol. Inglês pouco e francês nem pensar. A inglesa não se aventurava mais do que para dizer «No tengo mas hambre» quando o estômago se enrolava nas voltas da ondulação. Os suíços falavam francês entre eles e inglês com os restantes. Os holandeses tinham, como seria de esperar, a mesma perfeição no inglês e no idioma próprio. Em português sabiam dizer «pão de queijo». Tinham chegado do Brasil... Nós, os portugueses, estávamos à vontade em todas as línguas do barco. Mesmo no japonês arriscávamos a comunicação, à base de Arigatos, Sayonaras e Pizzicato Five. Em holandês era mais complicado, mas Cruyff, Van Basten e Ruud Gullit quebraram o gelo.
«Diz-lhes que está tudo bem», dizia-me Freddie, que dava os primeiros passos no inglês. Já lhe fazíamos as traduções simultâneas sempre que precisava explicar a história das ilhas, as espécies endémicas, as precauções a ter naquele santuário da natureza. Nos briefings diários, era a nós que perguntava como se dizia isto ou aquilo, em francês ou inglês.
Cumpríamos o nosso legado histórico de intermediários culturais. Era connosco que, em espanhol, partilhava as histórias sem censuras linguísticas ou temáticas. Éramos já dois deles. Suficientemente cúmplices para perceber que não estava tudo bem, que estávamos à deriva, a afastar-nos da rota. Até que o motor voltou a funcionar.
«Éberything ólright!», exclamou Freddie com um sorriso enquanto nos piscava o olho.

27/07/11

Não vás p'ra fora de pé, filho

Para lá de saber se há vida em Marte ou o que nos irá acontecer a partir do momento em que o coração deixa de bater, há um outro mistério da Humanidade que não me deixa descansar. Já vos digo qual é.

Todos os anos, quando o verão se instala, são milhões os portugueses que se deslocam à praia. Preparam o lanche em casa, tiram as toalhas das gavetas, tentam perceber se ainda cabem nos fatos-de-banho, encolhem a barriga, abençoam os cremes anticelulite que compraram na primavera e fazem-se à estrada. Muitos deles enfrentam quilómetros de filas de trânsito, largos minutos à procura de lugar para estacionar e ainda carregam o guarda-sol, os sacos, brinquedos dos miúdos, jornais e revistas até ao areal.

E é quando chegam à praia que sucede o tal mistério da Humanidade. Bastaria caminharem mais cinco ou dez minutos para um dos lados do areal para encontrarem espaço para eles e suas famílias, mas não. Num acto de sadomasoquismo sem precedentes, estendem as toalhas e toda a parafernália o mais perto possível dos outros banhistas. Até hoje, a ciência não sabe explicar o porquê deste comportamento. Talvez seja o sentido gregário do ser humano, talvez seja o medo do desconhecido, talvez seja comodismo. Certamente, e sem qualquer talvez, é estupidez.

E ali ficam, palrando a bom som, folheando o desportivo ou a revista de fim de semana, mexendo no telemóvel ou banqueteando-se a poucos metros (centímetros se falarmos por exemplo, da praia da Galapos, na Arrábida, caso que posso confirmar) de outros elementos da espécie humana.

Nesse momento torna-se impossível atingir um dos objectivos da ida à praia: descansar.

Claro que também existem praias onde isso não acontece. Nessas, o mal pode surgir com outra roupagem - dá pelo nome de moto de água, esse objecto do Diabo que, para divertimento de uma pessoa, obriga dezenas de outras a suportarem o ruído irritante e contínuo de um motor a funcionar a centenas de metros de distância.

No fundo é essa a razão deste post. Há boas notícias no horizonte.
Normalmente, de Bruxelas chegam medidas geniais como o fim dos galheteiros e das colheres de pau, o abate dos barcos de pesca ou os puxões de orelhas aos deficitários. Desta vez, é a decisão de que os fabricantes de barcos de recreio e motos de água terão que ser mais silenciosos e amigos do ambiente.

E agora vou virar-me para o lado e imaginar que Bruxelas vai impor uma lei contra o ajuntamento na praia de famílias numerosas e barulhentas a menos de 50 metros de qualquer cidadão cumpridor das suas obrigações fiscais.

26/07/11

Não está fácil

Nos últimos dias, a vida não anda fácil para quem gosta de olhar para o copo meio cheio.
Abrem-se os jornais, com um clique no rato ou dando uso aos dedos, e as notícias falam do louco e furioso Anders ou da igualmente louca e furiosa Amy. Ele, norueguês, planeou um atentado em Oslo e a caça ao homem e à mulher na ilha de Utoya. Ela, inglesa, não planeou nada e deixou que a vida lhe passasse à frente.

Mas o que é que têm em comum este loiro de 32 anos e esta morena de 27?
Provavelmente o desprezo pela vida humana.


21/07/11

The blade runner


                                                                 Ilhas Virgens Americanas, 2004 - RS

Oscar Pistorius conseguiu os mínimos A para os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, na prova de 400 metros. Terminou a corrida em Lignano, Itália, na passada terça-feira, festejou o feito, tomou um duche e escreveu no Twitter: "It feels kind of surreal".

Durante algum tempo, tive o sonho de correr nuns Jogos Olímpicos. Nunca fui suficientemente bom, mas não foi isso que me afastou do sonho. Foi a falta de empenho e de capacidade de sacrifício para treinar mais. E teria adorado ter conseguido fazê-lo na mesma prova onde brilha agora este sul-africano de 24 anos.

Pistorius nasceu sem perónios, mas não foi isso que o fez desistir. Escolheu o atletismo como modalidade e fez-se às pistas de tartan com próteses. A polémica instalou-se, os organismos internacionais não o queriam aceitar como concorrente, excepto nos Paralímpicos. Oscar não desistiu, recorreu das sucessivas decisões contra a sua participação. Em 2008, a Federação Internacional (IAAF) aprovou, finalmente a sua presença junto dos outros homens. Os que nasceram com perónios. Para correr nos Jogos Olímpicos, e já que o atleta exigia não ser posto de parte, teria que obter os mínimos de participação. 

Na terça, Oscar Pistorius correu os 400 metros em 45,06 segundos, com as suas próteses de última geração. O recorde absoluto de Portugal nesta prova é de 46,11 segundos, pelo atleta Carlos Silva e obtido em 1996.

Oscar Pistorius é um homem fora do normal.
Absolutamente fora do normal.

20/07/11

Estou de Acordo

Numa altura em que ainda não podem ser contabilizados ou sequer previstos os custos inerentes à aplicação do Acordo Ortográfico - como se pode depreender desta notícia - o Jornalismo Positivo passa a adotá-lo. E sem que ninguém tenha que pagar mais por isso.

Não é uma decisão tomada de ânimo leve e poderá levar algum tempo até que todas as palavras e expressões aqui utilizadas tenham a grafia correta do Acordo Ortográfico (aprovado em 1990 e a ser posto em prática já no próximo ano letivo), mas é meu objetivo que assim seja.
E para isso conto com a vossa colaboração, apontando erros e fazendo correções e críticas.

A língua portuguesa é a quinta mais falada do Mundo. Obviamente isso não se deve apenas aos 10,5 milhões de residentes em Portugal. O Brasil é o grande responsável por essa posição no ranking de idiomas, sendo que Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste têm uma fatia de responsabilidade igualmente importante.

A língua não pode morrer, tem que se adaptar para se manter viva.
Não me caem os parentes na lama por perder alguma acentuação ou uns 'p' e uns 'c'.
No tempo de Fernando Pessoa a grafia de farmácia era com 'ph'. E foi ele que escreveu, sobre a Coca Cola, que, primeiro se estranha e depois se entranha.
Espero que o mesmo ocorra com o Acordo Ortográfico.


  

19/07/11

O mundo não é dos cinzentos

Diz-nos o Diário de Notícias - e outros meios de comunicação - que a Universidade Católica desaconselha a utilização de chinelos e bermudas aos seus alunos, professores e funcionários. No Facebook, a boa nova espalha-se de forma viral, com comentários para todos os gostos. Não são poucos os que aprovam a medida, tal como também é elevado o número daqueles que a ridicularizam.

A Católica é um estabelecimento de ensino privado. Quem o frequenta, paga e bem para lá estar. Regras são regras e quem lá estuda tem que viver com elas. A meio do jogo, o árbitro resolveu criar uma nova, mas é a vida. Chinelos e calções, equipamentos desportivos e outras coisas demoníacas do género não têm lá lugar. Aceita quem quer. E cabe a quem quiser o acto da contestação.

Não são poucas as vezes em que surjo nas redacções com as quais colaboro, de calções e ténis, de jeans e havaianas e quase sempre de t-shirt. Não envergo a camisola do Glorioso no dia-a-dia porque essa é apenas para ser usada na Catedral e iria sentir-me bastante revoltado se me impedissem de entrar num local de trabalho por estar de calções e chinelos. Mas isso sou eu, que gosto de ver o mundo com cores alegres e vestimentas descontraídas, sejam elas em tecido ou fruto da mente.

Para fatos cinzentos e camisas às riscas, já me basta o pensamento dominante.

18/07/11

Portugal Positivo

Ontem, domingo, 17 de Julho, a revista Notícias Magazine, brindou-nos com o artigo 'Portugal Positivo', da jornalista Leonor Moreira. A entrada do texto é clara: "Há muitos seguidores da ideia de que o pensamento positivo sobre uma determinada realidade altera-a. De forma intuitiva e nada científica, só por não aguentarem mais o miserabilismo, vários portugueses usam a web para pensar positivamente acerca do país e da realidade."

É mesmo isso.
Já não se aguenta este miserabilismo vigente. Não há pachorra, usando o bom português, com ou sem acordo ortográfico.

Ao longo do artigo - muito bem escrito e estruturado, diga-se - Leonor Moreira, dá exemplos de gente que não se conforma. Patrícia Maia, editora do jornal online Boas Notícias, é uma dessas pessoas. Um trabalho notável, digo eu, o que ela e a sua equipa têm vindo a desenvolver. As palavras de Boaventura Sousa Santos também não foram esquecidas, tal como o destaque dado a este vosso/nosso blog. Se ainda forem a tempo, não percam esta edição.

E nunca se esqueçam de olhar para o lado solar da vida.

15/07/11

Não só é possível, como é bom.

Michel Cartier vive em Portugal há 18 anos, foi adido cultural da embaixada francesa em Lisboa e lançou um livro, uma espécie de dicionário, sobre "as manias, contradições e características" dos portugueses. Deu-lhe - ele ou a editora - um nome curioso: "Como É Possível Ser Português?".

Vejo-o no noticiário da manhã da TVI, calhou passar pelo canal esta manhã. A falar um português esforçado, de fato e gravata, Cartier acaba por não se conseguir explicar convenientemente ao jornalista. Tem dificuldade em responder às perguntas directas que lhe são feitas - "Mas vamos a exemplos práticos de manias dos portugueses". O francês remete para as 365 entradas que o seu dicionário tem, uma para cada dia do ano. A custo, lá diz que os portugueses têm muita conversa e bla bla bla. Refere Fernando Pessoa uma e outra vez, mas não me aquece nem arrefece.

É o título da sua obra que me afasta. "Como é possível?" Eu respondo-lhe sem rancores, senhor Cartier. É possível com orgulho e sem preconceito. Não sei se reparou, mas provavelmente o seu tiro editorial foi dado ao lado. Não é este o momento para se meter com estes homens e mulheres que, como referiu na apresentação do seu dicionário, "se não existissem teriam que inventá-los".

A economia portuguesa está no lixo, mas a essência de cada um de nós não. Sim, temos muita conversa. Sim, gostamos demasiado de futebol, choramos com o fado, deliramos com um almoço prolongado, bebemos uns copos a mais, estoirámos (ou será alguns de nós estoiraram?) os subsídios europeus e agora estamos com a corda na garganta. Temos esses e muitos mais defeitos, 365 ou mesmo mais, mas felizmente temos uma das políticas de integração de estrangeiros mais bem conseguida de todo o mundo.

Veja bem, caro Cartier. Somos tão bons a receber, que até o temos por cá a escrever livros sobre os nossos hábitos culturais e enquanto povo. É possível ser português. Não só é possível, como é bom. E difícil, mas já andamos cá há muito tempo. Temos muita coisa para mudar para sermos melhores, mas temos ainda mais coisas para preservar para podermos continuar a ser bons.


05/06/11

Contas feitas

Já falta pouco para ser a sério, mas a votação que decorreu durante esta semana no Jornalismo Positivo já deu frutos.

Desde já, aqui fica o agradecimento aos 46 "eleitores" que se deram ao trabalho de deixar a sua preferência nestas Legislativas que valem o que valem.

E agora, eis os resultados. Pode ser que alguns batam certo com o que se vai passar mais logo. Outros estarão muito longe, mas o objectivo foi cumprido: chamar a atenção para um dever cívico num país onde um em cada três portugueses costuma ficar em casa quando chega a hora de fazer ouvir a sua voz através do voto.

Resultados:

PPD/PSD.....  30% (14 votos)

CDU ...........  19% (9 votos)

CDS-PP ...... 13% (6 votos)

PS ...............  8% (4 votos)

BE ................  6% (3 votos)

MEP .............  4% (2 votos)

PCTP/MRPP.  2% (1 voto)

PNR .............  2% (1 voto)

Em Branco .... 10% (5 votos)

Nulos ............ 2% (1 voto)



23/05/11

Sondagem que vale o que vale

No próximo 5 de Junho, os portugueses vão a votos.

Mais do que encontrar culpados ou salvadores, estas Legislativas devem servir para mostrar que os cidadãos ainda se preocupam. Votar, mais do que um direito, é um dever. Nem que seja para honrar aqueles que, antes de nós, não o puderam fazer de forma livre durante décadas.

O que vos peço é simples.
Escolham a vossa preferência na barra aqui ao lado e votem.
A sondagem de opinião vai estar disponível até às 12h de sexta-feira, 3 de Junho.
Os resultados estarão disponíveis logo a seguir.

Em jeito de recordação, e para que possam comparar com o que se irá passar na noite eleitoral e entender quem ganhou e quem perdeu, aqui ficam os resultados das Legislativas de 27 de Setembro de 2009 com percentagens, número de votos, de mandatos no Parlamento, brancos, nulos e afluência.

Obrigado.

LEGISLATIVAS 2009

PS: 36,55 % - 2 077 695 votos - 97 Deputados

PPD/PSD:  29,11% - 1 654 777 votos - 81 Deputados

CDS-PP: 10,43% - 592 997 votos - 21 Deputados

BE: 9,82% -  558 062 votos - 16 Deputados

CDU: 7,86% - 446 994 votos - 15 Deputados

PCTP-MRPP: 0,93% - 52 784 votos - 0 Deputados

MEP: 0,45% - 25 475 votos - 0 Deputados

PND: 0,38% - 21 476 votos - 0 Deputados

MMS: 0,29% - 16 616 votos - 0 Deputados

PPM: 0,27% - 15 090 votos - 0 Deputados

MPT-PH: 0,22% - 12 307 votos - 0 Deputados

PNR: 0,20% - 11 628 votos - 0 Deputados

PPV: 0,15% - 8 533 votos - 0 Deputados

PTP: 0,08% - 4 789 votos - 0 Deputados

POUS: 0,08% - 4 320 votos - 0 Deputados

MPT: 0,06% - 3 240 votos - 0 Deputados

Em Branco: 1,74% - 99 161 votos

Nulos: 1,37% - 78 023 votos

Afluência: 59,74% - 5 683 967 votantes

Inscritos: 9 514 322



21/03/11

Exodus

                                                 A caminho do Monte Zion, Jamaica, Março 2011

Jimmy conduzia a carrinha a uma velocidade aceitável. Desviava-se dos buracos na estrada enquanto comíamos os quilómetros entre Ocho Rios e Nine Mile. "Em Portugal também há estradas assim?", perguntou.
Há. Não tantas como na Jamaica, mas também há.

Jimmy era professor de Educação Física. Dava aulas a crianças do quinto ano, "aquela idade em que começam a pensar por eles e isso dava-me um grande prazer".
E então, porque foi que desististe?
"O ordenado de professor não dava para levar a vida que quero". Eram quinhentos dólares americanos por mês. O ordenado mínimo no país ronda os cinquenta.
O que é que um jamaicano pode comprar com um dólar?
"Um refrigerante e um pastel de carne... duas embalagens de arroz".

Os quilómetros passavam a boa velocidade, tal como os temas da conversa: o amor incondicional de um pai por uma filha, a família de professores, a extracção de alumínio das serras jamaicanas, o facto de não existirem McDonald's na ilha porque o governo fez finca-pé para que a carne dos famosos hambúrgueres fosse exclusivamente jamaicana e a multinacional recusou e Bob Marley.

Claro. A hora e meia de viagem tinha por objectivo ver o local onde nasceu e está sepultado Bob Marley.
Por 19 dólares, podem descobrir-se recantos da vida do maior embaixador do país.

Descalços, demos a volta ao pequeno mausoléu onde o cheiro a marijuana não se estranha e fizemos a foto da praxe junto à cama de solteiro do rei do reggae. Essa mesmo, a do Is This Love, "we'll share the shelter of my single bed". Foi bom.

Jimmy é filho de um polícia. Quer voltar a ser professor. Nada lhe dá mais prazer. Tem família nos EUA e convites para ir para lá trabalhar. Não quer. Quer fazer a diferença no seu país. "A Jamaica é muito mais que Bob Marley. E eu gosto muito dele e da música. Mas é muito mais que isso!"

Pois é.

27/01/11

Onde é que acaba o jornalista e começo eu?

Há pouco mais de 10 anos, vivi uma das experiências mais marcantes da minha curta carreira de jornalista.
Ao serviço do jornal O Independente fui destacado - com muita vontade minha - para cobrir as operações de busca e salvamento de Maria João Pinto, professora de Braga desaparecida nos Picos da Europa, Espanha. Era o final de Agosto de 2001.

Nada. Não havia sinal da senhora. Adepta do montanhismo, tinha ido com o marido e um grupo de outras pessoas para os Picos da Europa. O trekking dava os primeiros passos mediáticos em Portugal. Maria João e o marido estavam num refúgio de montanha a mais de dois mil metros de altitude. A dado momento ela saiu para dar um passeio à volta do refúgio, caiu um denso nevoeiro e terá perdido a noção do espaço e das distância. Já tinham passado quatro dias e não havia meio de a encontrar.

Saímos de Lisboa, o fotógrafo João Pedro Branco e eu, na companhia de um amigo do casal que nos tinha chamado à atenção para esta história. Voámos para Oviedo e dai seguimos de automóvel até ao parque de campismo de Cangas de Onis, a base do acampamento do grupo da montanhista. Montámos a tenda, metemos a mochila às costas - o João com o peso suplementar do material fotográfico - e atacámos a montanha para nos juntarmos ao grupo de buscas. Era essa a história, mas não o fizemos apenas pelo jornalismo.

Seriam quatro horas a andar, sempre a subir, até ao abrigo de montanha de onde Maria João tinha desaparecido. "Vocês não vêm?", perguntei a um dos elementos de uma equipa de reportagem de uma televisão portuguesa. "Eh pá, não dá...!, respondeu-me, referindo que o peso do equipamento, câmara e tripé, era demasiado. As equipas de reportagem dos três canais lutavam pela melhor história. Nenhuma delas quis subir até ao abrigo. Iriam ficar à espera que o tempo ficasse melhor para subirem no helicóptero da Guardia Civil.

Subimos, o João e eu. E custou. Dois guias de montanha e meia dúzia de montanhistas experimentados. E nós. De botas, calças de ganga, impermeáveis, gorro, luvas, o que tivesse sido sacado à pressa do roupeiro lá de casa. No abrigo já se encontravam mais de 20 pessoas, a lotação estava esgotada e começava a escassear a comida. Não se ouvia um queixume. Estavam todos ali para ajudar.

Ao sexto dia, nada. Aproximava-se o fim-de-semana, a melhoria do tempo e estava quase a ser anunciado o fim das buscas. Voltámos para baixo. Duas horas de caminho. Exaustos, chegámos ao parque de campismo, tomámos um banho, jantámos, bebemos um copo e deixámo-nos ir. Tínhamos que subir na manhã seguinte, de volta ao abrigo, mas não acordámos a tempo. O helicóptero com as televisões já tinha partido.

"Vamos lá outra vez?", perguntou-me o João. Vamos.
Começámos a caminhada quando vimos um grupo a pé, a descer.
Maria João Pinto tinha sido encontrada. Estava no fundo de uma ravina com quase 100 metros.
Não havia mais nada a fazer.
O marido voltara com a Guardia Civil, junto do corpo.

Da comunicação social, só lá estávamos nós.
Não me lembro de ter tirado uma nota sequer da conversa que mantive com o viúvo.
Meia hora depois, chegaram os holofotes dos directos.
"O que é que sente?", perguntaram-lhe.


25/11/10

Malta que não interessa a ninguém

Os jornalistas são, provavelmente, os seres menos solidários que existem no panorama laboral português. Vou excluir deste universo os juízes, políticos e advogados porque estou apenas a falar da população activa.

Como dizia, se há classe profissional que se está a marimbar para os colegas, é a dos jornalistas. E deste ramo, onde me incluo, fazem parte redactores e fotógrafos, os 'canetas' e os 'bate-chapas'.

Dois exemplos:

- Se um redactor escreve uma peça do caraças, com uma investigação árdua, um tema pungente e uma retórica cativante, só vai receber dois tipos de elogios - os genuínos (dos seus verdadeiros amigos pessoais que também são jornalistas) e os de circunstância (de jornalistas que se dizem seus amigos, mas só escrevem ou fotografam para o umbigo e criticam tudo o que lhes possa fazer sombra).

- Na semana passada fui a um lançamento de um livro que tinha também uma exposição de fotografia, óptima, diga-se de passagem. As fotos são de um foto-jornalista português. Sabem quantos fotógrafos estavam lá presentes? Vi apenas um para lá dos que foram cobrir o lançamento do livro. 

Redactores e fotógrafos têm, de modo geral, os egos demasiado inchados. 
Julgam que, por aparecerem nas páginas de jornais e revistas, ecrãs de televisão ou através da rádio, estão acima de qualquer crítica. Pensam que os elogios para os trabalhos dos outros são uma demonstração de fraqueza e das suas próprias limitações.

Enganam-se.
Elogiar o trabalho de um colega, quer se conheça ou não pessoalmente, é um acto de solidariedade. Tal como é o de criticar negativamente uma peça ou uma imagem. Isto se a crítica for baseada em factos e não apenas na dor de cotovelo, no umbigo ou à luz do grupinho de iluminados de que se faz parte. 

Deixo um conselho aos meus amigos jornalistas: diversifiquem o âmbito das vossas amizades. Fica mais fácil manter contacto com o mundo real.

23/11/10

Foi bom, não foi?

Vi em rodapé televisivo, ouvi na rádio, li no jornal, procurei na Internet e pensei: "Será que é mesmo verdade?" A questão fazia todo o sentido. Pelo menos, para mim.

Por um lado queria acreditar que, finalmente, um líder espiritual dos católicos tinha dito alguma coisa acertada em relação ao preservativo e ao seu uso. Afinal, já passaram mais de 3000 anos (exacto, três mil) desde que os egípcios começaram a usar algo semelhante ao preservativo na protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Depois das tripas de animais, das faixas de tecido ou das protecções de couro, o preservativo em látex, tal como o conhecemos, surgiu. Já foi na década de 1950, mas mesmo assim não havia meio de um Papa assumir a sua importância na luta contra doenças terríveis. Seja ela a sífilis ou aquela outra que todos os anos ajuda a matar milhões - e infecta muitos mais - em todo o Mundo. Como é que aquilo se chama mesmo?...

Sida. É isso.

Pois... Tentei informar-me melhor sobre as declarações revolucionárias de Bento XVI. Então, mas o homem nunca disse uma palavra acertada sobre o assunto e agora, de repente, o preservativo já é uma coisa mais ou menos boa? Hummm... cheirou-me a esturro. E não é que estava certo?

Já hoje, um porta-voz do Vaticano veio explicar melhor a coisa. Veio quase que assustado, depois de ver tantas boas reacções às palavras progressistas e inteligentes da sua -dele- Santidade.
E rectificou.

Afinal, o Papa não quis dizer que o preservativo deve ser usado a torto e a direito (não resisti...).
Só pode ser utilizado em casos excepcionais e como medida de protecção, podendo reduzir o risco de infecção. Deu, Bento XVI, o exemplo dos "prostitutos". Não o dos trabalhadores da prostituição em geral, só eles. Quanto a elas, não foram especificadas medidas de protecção.

E fiquei também a saber que, no livro de onde teriam sido sacadas as progressistas e inteligentes afirmações de Bento XVI - Luz de Deus: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos, está também escrito: "Os preservativos não são a melhor forma de lutar contra o mal da sida".

Em Julho de 1920, quando Joseph e Maria Ratzinger, futuros pais do petiz Joseph, se conheceram (dizem as más-línguas, através de um anúncio de jornal), não sabiam ainda que o preservativo poderia ter outra função além de salvar vidas: evitá-las.

16/11/10

Carlos Teotónio Pereira

                                                                         O Independente, 2001

Acordei sobressaltado.
Pouco passava das nove da manhã, talvez menos. Estava a dormir há três ou quatro horas.
"Tou, Ricardo... tenho uma coisa muito triste para te dizer. O Carlinhos faleceu".
Nem teve um acidente, nem está muito mal, nem houve um desastre, nada. Não! Faleceu. Morreu.
Pá!
Chapada na cara, murro no estômago, puxar o tapete, desabar o Mundo, todas as frases feitas são ridículas. Não havia outra maneira de o dizer, não há forma correcta de se dar uma notícia assim. Não se deseja a ninguém ter que o fazer. Dizer a alguém que um dos seus melhores amigos já não está vivo é um pontapé nos tomates. Anos mais tarde, calhou-me a dor de ter que dizer a um pai que o filho tinha morrido.
Não há forma correcta de se dar uma notícia assim. Não se deseja a ninguém ter que o fazer.

Em 2002, gastávamos as recentes e escassas notas de euro que recebíamos em noites de fecho do jornal que se prolongavam quase até de manhã. O Mundo tinha mudado: Bin Laden era o inimigo público número um, Daniel Pearl, do Wall Street Journal, tinha sido sequestrado e barbaramente assassinado, Milosevic estava a ser julgado em Haia, Savimbi deixara de ser um problema em Angola, Timor acabava de se tornar independente, Lula conseguira finalmente chegar ao poder e os EUA invadiam o Afeganistão.
De tudo isto falámos à mesa da Tasca do Careca, nos almoços no Beiradouro ou nas escapadelas para as escadas de incêndio do prédio da Almirante Reis. Sempre com opiniões contrárias e discussões acaloradas que terminavam em gargalhada. Terminavam com a gargalhada dele.

Ele e eu éramos água e azeite. Tínhamos tudo para não nos misturarmos e conseguimos iludir a química ou a física ou lá o que é que separa os líquidos. De um lado, uma educação católica, conservadora, de Direita, do antigamente, uma família influente. Do outro, eu.
Unimo-nos por uma secretária, por um computador, pelo prazo de fecho, pelos caracteres para entregar, pelas tricas da redacção, pelas conquistas do coração, pelas loucuras até às tantas, por uma amizade sem classes, pura.

"A ver se combinamos alguma coisa esta semana..."
"Claro, meu querido!"
E mais umas gargalhadas valentes com insultos terríveis à masculinidade um do outro.
"Liga-me".

Nunca mais lhe telefonei. Não houve tempo.
Não consigo apagar o número da memória do meu telemóvel - Carlinhos Teot: 919302571.
Passam hoje exactamente oito anos.
Em 2002, o Óscar de Melhor Filme foi para A Beautiful Mind.
Bate certo.



28/10/10

Eu é que sou o capitão da minha alma

Gosto de épicos.
Filmes, livros, biografias, histórias, heróis, momentos, recordações, pessoas, amores.
Gosto de momentos como o do discurso do treinador interpretado por Al Pacino no filme 'Any given Sunday'.
Gosto do Humphrey Bogart a despedir-se de Ingrid Bergman em 'Casablanca'.
Gosto de reviravoltas históricas como a do Manchester United contra o Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões ou a defesa do Ricardo sem luvas no Euro 2004.
Gosto da emoção que senti no cemitério do Alto de São João quando passou o que sobrava de José Saramago.
Gosto de palmas que não acabam e beijos que ficam para sempre.
Gosto do 'Wish you were here' dos Pink Floyd a tocar alto no rádio.
E do 'Learning to fly' do Tom Petty.
Gosto da águia Vitória a voar antes dos jogos.
Gosto de uma história que acaba bem.
Tenho saudades das duas madrugadas e um dia de resgate dos mineiros chilenos.
Arrepio-me quando oiço o cometa a passar no 'Whole of the Moon' dos meus Waterboys.
E gosto de mensagens fortes.
Como esta.

Invictus,
by William Ernest Henley



Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

30/09/10

Corta e cose

Hoje, andei trinta e tal anos para trás.
Uma pequena cirurgia levou-me a um hospital. 
Foi agendada a semana passada e hoje começou com meia hora de atraso. 
Sim, foi num hospital privado. 

Nem 20 minutos estive deitado. Nem as calças ou os ténis tive que tirar. Só levei a touca na cabeça e as protecções para os pés. Já ia medianamente anestesiado de casa - não é nenhuma piada com álcool, eram dez da manhã - com uma pomada para passar na área afectada. Deitei-me, ele passou-me um spray desinfectante, depois Betadine e saca da agulha: "Lembra-se que eu disse que era só uma picada?", perguntou. 
Sim, disse-lhe.
"É esta", continuou enquanto me picava a pele em vários locais. Virou-se para trás, pediu para preencherem uns papéis, clamou por um bisturi, trocou meia dúzia de palavras com as enfermeiras e com a médica assistente e voltou à carga: "Isto assim, dói-lhe?" 
Não, disse-lhe enquanto fitava o típico candeeiro sobre a mesa de operações, parecido com o do dentista, mas maior. Foi isso que me fez voltar trinta e tal anos atrás.

Devia ter uns três anos ou coisa assim. Brincava num canteiro de flores sem as ditas, só com terra. Era em mármore e ainda hoje faz a divisão entre os prédios na rua dos meus pais, na praceta com nome de poeta que me ajudou a vir para as Letras. Tropecei, caí e parti a cana do nariz na esquina do mármore. Doeu. E só me lembro das luzes, do candeeiro do hospital, da agulha e do fio a passar do lado esquerdo para o direito do nariz. Foi a última vez que estive num hospital para ser cosido. Até hoje.

Não pensei no papel do Serviço Nacional de Saúde. Não me importei com isso. Felizmente tenho um seguro que me permitiu ser consultado e intervencionado por menos de 60 euros. Tenho sorte. Levou uma semana. Daqui a outra volto lá para uma consulta de pós-operatório.

"Pronto, Ricardo, já está", diz-me ele depois de ter dado uns quantos pontos na pele e de termos falado do aumento do IVA para 23% ao ritmo do fio e da agulha. "Então e essas férias?", perguntei-lhe. "Agora estou a pensar em Bali". Na semana passada, quando nos vimos pela primeira vez, questionou-me sobre as Maldivas. Disse-lhe que era melhor não, a não ser que fosse praticante de mergulho e quisesse passar uma semana romântica.

Um dia, o Serviço Nacional de Saúde não vai ser assim.
Mas era bom que fosse.

24/09/10

Falta de Luz

Tenho aqui duas notícias que gostaria de partilhar.
Uma é dos últimos dias de Julho deste ano.
A outra é desta semana, final de Setembro.

A primeira, in Correio da Manhã, rezava assim:


Lucro da EDP sobe 19% no primeiro semestre

O lucro da EDP subiu 19 por cento no primeiro semestre deste ano, face aos mesmo meses do ano anterior, para 639 milhões de euros.
A segunda está fresquinha, in Jornal de Notícias:

EDP vai pedir autorização para donativo voluntário na factura da luz

A empresa portuguesa anunciou hoje que vai pedir aos seu clientes que, voluntariamente,  contribuam com quatro euros anuais ou 30 cêntimos por mês para ajuda aos refugiados da ONU.


Pois bem, vamos lá por partes.
Eu não tenho nada contra os refugiados da ONU. Nada de nada! E tenho a certeza que merecem ser ajudados de todas as formas possíveis.

Só deixo uma questão: uma empresa que tem lucros de 639 milhões de euros no primeiro semestre do ano precisa de pedir mais quatro euros aos seus clientes para poder fazer boa figura e ajudar os refugiados?

Se os 10 milhões de portugueses e residentes em Portugal fossem todos clientes da EDP, a quatro euros cada um, isso significaria um donativo de 40 milhões, certo? E se esses 40 milhões saíssem directamente dos 639 milhões do lucro semestral?