Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



21/01/08

País-bomba


A ameaça terrorista paira sobre Portugal e nunca se levou a coisa tão a sério. Nem no Euro 2004 nem na presidência portuguesa da União Europeia. Os serviços secretos espanhóis deram o alerta e já só se fala nisso. Há razão para andarmos preocupados? Digam de vossa justiça na sondagem desta semana do blog.

Tony, faz-me um filho!


Este é um dos pedidos que mais se ouve nos concertos do cantor romântico português. A sua popularidade ultrapassa tudo o que se poderia imaginar e o filho, Mikael, vai pelo mesmo caminho. Tony Carreira foi o nome escolhido aqui no blog para baptizar a próxima travessia sobre o Tejo. A votação não deixou dúvidas: 58%. É maioria absoluta, sem apelo nem agravo. Conclusões e análises a esta sondagem? Penso que não é necessário. Mas seria engraçado ver o governo português iniciar uma campanha nacional para se chegar ao novo nome da ponte. Obrigado a todos pela participação.

18/01/08

Que é feito de si?

Há cerca de 115 dias, em Setembro de 2007, o Mundo abriu os olhos e viu a Birmânia/ Myanmar à beira do caos. Os monges budistas e a população vieram para as ruas protestar contra a ditadura militar, houve mortes, repressão policial e preocupação internacional propagada aos sete ventos. Entretanto, uma série de outras notícias e eventos tomaram conta da agenda e nunca mais se falou de um dos mais misteriosos países da Ásia. A líder da oposição ao regime e Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, continua a viver confinada à sua casa. Nos últimos 18 anos, passou mais de 12 em prisão domiciliária. A população continua descontente e pede a transição para a democracia, mas até agora nada. Se nem as abundantes reservas de petróleo e de gás natural da Birmânia/Myanmar são suficientes para justificar uma intervenção da ONU ou dos Aliados, que tal tentar resolver a questão apenas em nome da Democracia e da Humanidade?

Fim-de-semana à porta


Não há chuva à vista para os próximos dias. Pelo menos no Centro e Sul, mas com isto do tempo nunca se sabe. E há tanta coisa para fazer neste país. Aproveitem!

1 - Ir ao futebol. Os três grandes jogam em casa no sábado à tarde, à moda antiga. Com luz do dia, finalmente.
2 - Não ir a centros comerciais. Por favor!
3 - Passeio na serra da Arrábida. É de aproveitar enquanto não começa a co-incineração.
4 - Noitada no 'Tóquio', no Cais do Sodré, em Lisboa. É pena fechar às quatro...
5 - Petisqueira do Crispim. Boa comida e bom vinho em Fátima. Visita ao santuário exigida apenas aos crentes.

Morte em vida

Direito à morte ou direito a ter um fim de vida digno? A excelente reportagem que a SIC transmitiu ontem à noite relança o debate sobre a eutanásia. Mas também sobre a importância dos cuidados paliativos. Matilde teve um acidente vascular cerebral aos nove anos e ficou em estado vegetativo permanente. E agora? Todos os esforços serão inúteis? Haverá volta para um processo que parece ser apenas de ida? Haverá quem possa decidir o seu futuro? A mãe da criança continua a fazer tudo o que é possível para lhe dar uma vida digna, novos tratamentos, novas terapias. Mas deixa no ar a questão: Se a lei portuguesa permitisse a eutanásia, não saberia que decisão tomar. Só o facto de colocar a hipótese é um acto de coragem sem precedentes. Nunca se saberá o que Matilde pensa do assunto, se quer ou não continuar a viver assim. Mas não faltam outros casos, milhares, em que os pacientes estão na posse de todas as suas faculdades e querem decidir. Querem optar por morrer bem em vez de viver mal. E não o podem fazer. Ainda.

17/01/08

Todos às urnas

Faltam três dias para terminar a sondagem desta semana aqui no blog. E há um nome em destaque para o baptismo da nova ponte sobre o Tejo. Toca a votar!

16/01/08

Falhanço total


O sistema electrónico de votação da Assembleia da República falhou durante a votação da moção de censura ao Governo, interposta pelo Bloco de Esquerda. Qual é a notícia relevante nesta frase? O sistema electrónico de votação da Assembleia da República ter falhado, claro. Não interessa para nada o facto de alguém ter censurado oficialmente o Governo. Pelo menos, foi assim que a SIC se referiu ao assunto no Jornal da Noite de hoje. Só depois deste 'fait divers' entrou a peça sobre o debate da moção de censura, sobre a opinião de cada partido e sobre a posição do Governo. É indiferente quem tenha apresentado a moção, esta não é uma questão partidária. O preocupante é que alguém tenha resolvido dar relevo a este pormenor - que tem importância relativa - e não tenha puxado para o topo da história o facto de as coisas não andarem bem na sociedade portuguesa. Mais preocupante ainda é o facto de esta ter sido uma escolha brilhante de alinhamento televisivo, a de dar importância ao falhanço electrónico. É disso que se vai falar amanhã nos cafés, nos bancos de jardim, nos intervalos para o cigarro. "Então, viste aquela cena ontem no Parlamento? O quê, a moção de censura? Não, pá, falhou o sistema de votos e foi a confusão. Isto 'tá bonito, tá..." E cá vamos andando, cantando e rindo, com os olhos cheios de areia.

Vergonha


O Supremo Tribunal Administrativo aprovou a co-incineração na Secil, em pleno Parque Natural da Serra da Arrábida. Esta decisão vai contra outras tomadas por dois tribunais de instância que tinham suspendido a queima de resíduos perigosos na cimenteira do Outão. A Secil e o Ministério do Ambiente tinham recorrido e agora fez-se a vontade da empresa e do Estado. E a decisão conhecida hoje não tem direito a recurso.

A Serra da Arrábida é património de todos os portugueses. Apesar disso, nela funciona há décadas uma cimenteira que tem esburacado, esventrado e destruído uma paisagem protegida. Queimar resíduos perigosos num Parque Natural é o mesmo que fazer um piquenique numa lixeira. Não faz sentido. As autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela tentam fazer com que a decisão não seja definitiva, mas as perspectivas não são boas. E quanto aos dirigentes do Parque Natural? Sim, mostram-se preocupados e estão contra a co-incineração, mas não lhes convém falar muito alto. Esta coisa dos cargos políticos é complicada. Por este andar, a vergonha vai mesmo para a frente.

15/01/08

O Drº está atrasado

Se eu tiver uma reunião de trabalho às nove da manhã e chegar uma hora atrasado, estou metido em sarilhos. Se eu tiver de entregar um texto até às 18h e ele chegar ao seu destinatário no dia seguinte, fico mal visto. Se eu comprar um bilhete para um jogo de futebol que começa às 19h45 e chegar ao estádio às 20h30, só vejo a segunda parte. Se eu não tiver nada no frigorífico e estiver cheio de fome às 23h30, chego ao supermercado e bato com o nariz na porta. Se eu for viajar e chegar ao aeroporto uma hora depois do avião partir, estou tramado. Quando eu me atraso mais do que aquilo que é moralmente aceite em Portugal, a famosa janela de 15 minutos, sou castigado. Então por que razão é que quando vou ao médico, com hora marcada na agenda da secretária do Sr. Dr., tenho que esperar mais de uma hora, no mínimo, para ser atendido? É ele que me está a fazer um favor ou sou eu que lhe estou a pagar por um serviço?

Mãos largas


O mais recente filme de Manoel de Oliveira, 'O Enigma', estreou há cinco dias e foi visto por 1400 pessoas. Para terminar mais esta produção, o realizador de 99 anos recebeu um subsídio do Estado português e das empresas Lusomundo e Tóbis no valor de 700 mil euros. Ou seja, até agora, cada um dos espectadores custou 500 euros. Parte desse valor, superior a um salário mínimo nacional, saiu directamente dos bolsos dos contribuintes portugueses. O filme continua em exibição por tempo indeterminado e espera-se que mais pessoas se desloquem a um cinema para tentar compreender o segredo da vida de Cristóvão Colombo: se era alentejano de Cuba ou italiano de Génova. E quantas mais melhor, que é para a ministra da Cultura não se sentir tão mal por continuar a apostar em demasia num valor mais que seguro das artes portuguesas e um dos mais conceituados a nível internacional. Será que Manoel de Oliveira precisa disto? Será que os portugueses precisam disto? É esta a indústria do cinema em Portugal?