Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



27/01/08

Serviço Público


A estreia mundial da ópera Das Märchen, do conceituado compositor português Emmanuel Nunes, foi ontem no Teatro Nacional S. Carlos. E a edição de hoje do jornal PÚBLICO conta-nos que, por altura do intervalo já metade das pessoas presentes tinham abandonado a sala. Mais. O artigo assinado por Pedro Boléo (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317852) analisa, fria e duramente, não só o acontecimento que deveria ter sido marcante, mas também a conjuntura em que se inseriu esta grandiosa produção. Os caminhos da arte, os patrocinadores, a estética,as contradições e o interesse de Das Märchen são outras das vertentes tratadas de forma superior. Um bom exemplo de jornalismo e de crítica fiel, sem apego a compadrios ou a tendências ditadas pelas modas. Sem assistir ao espectáculo não se pode dizer o que quer que seja da qualidade da obra de Emmanuel Nunes, mas a pouca vontade que existia de ir ao S. Carlos continua a desvanecer-se. E isso já quer dizer muita coisa, apesar de não se poder levar muito a sério o que dizem e escrevem os críticos profissionais. Este artigo pode ser a excepção que confirma a regra.

Calha a todos...

"Ameaça terrorista em Portugal. Isto é a sério?" foi a questão que, durante uma semana, esteve em discussão aqui no blog. A sondagem foi a que teve o maior número de votantes (até agora) e os 46% de 'Calha a todos...' reflectem bem aquilo que se passa. Ninguém está imune, nem mesmo um país como este que, em termos internacionais, pouco poder de decisão tem, ao contrário do que nos podem querer fazer parecer. A segunda opção mais votada foi 'Lá estamos nós com a mania que somos importantes', graças a 40% dos votos. Parece que ainda é difícil acreditar que seja possível acontecer um atentado em Portugal, mas todo o cuidado é pouco. Se nos colocarmos no papel de terrorista, basta olhar à nossa volta para perceber como seria tão fácil aceder a localizações privilegiadas e provocar uma tragédia.

25/01/08

Grande dia!


Hoje é um dia para recordar. E não apenas no Brasil. Os dias nacionais disto e os dias internacionais daquilo têm a importância que lhes quisermos dar, mas é de louvar que o 25 de Janeiro fique para a história como o Dia Nacional da Bossa Nova. O Governo brasileiro resolveu assim homenagear um género musical que faz parte da cultura do país e já se espalhou ao resto do Mundo. A data não foi escolhida ao acaso, coincide com o nascimento de Tom Jobim que, se fosse vivo, faria hoje 81 anos. A música está de parabéns.

Só ouvido


A conversa telefónica que a SIC NOTÍCIAS está a reproduzir nos seus noticiários de hoje é um dos melhores retratos alguma vez transmitidos em televisão daquilo que ainda é hoje Portugal. O diálogo entre a operadora do INEM e o bombeiro da corporação de Alijó é um elogio à incompetência. A história conta-se rápido: um homem cai de uma escada e morre. A família pede ajuda ao INEM, sem saber o que dizer. Pensam que o indivíduo estará morto mas não têm a certeza. O serviço de emergência médica liga para os bombeiros a pedir uma viatura para ir ao local. Nem os Monty Phyton ou os Gato Fedorento se lembrariam de uma coisa assim. O bombeiro não tem caneta para tomar nota do pedido de ajuda, não entende o que dizem do outro lado do telefone, confunde os números, há risos como ruído de fundo e ele está sozinho na corporação, por isso não se pode deslocar. "Mas é para lá ir?", pergunta ele. "Estou a ligar para os bombeiros, não estou?", pergunta ela. E a ajuda chegou duas horas depois do telefonema da família. Se o homem não tivesse morto, bombeiros e INEM tinham conseguido matá-lo. Pela espera, pela falta de auxílio, pela incompetência, pelas ordens de cima que têm sempre que ser seguidas, pela falta de iniciativa, pela estupidez.

24/01/08

Porque hoje é sexta...


Cá vão as sugestões para mais um fim-de-semana inesquecível de copos e música. Ou pelo menos, para dois dias intensos e três noites bem passadas. Aproveitem! Para ajudar, não há chuva à vista para os próximos dias, só o maravilhoso Sol de Inverno.

  1. Hoje à noite, no Lux, em Lisboa, Greg Wilson, Felix Martin, Yen Sung e Zé Pedro Moura. É o 'spot' da semana.
  2. Evite festas da espuma. Mesmo no Inverno elas acontecem. Cuidado!
  3. O 'cocktail' 5 Estrelas no bar La Bohème, em Setúbal. Ainda há sítios que valem a pena.
  4. Hoje no Coliseu do Porto e amanhã no de Lisboa, a No Smoking Orchestra de Emir Kusturica e amigos. Festa garantida.
  5. Douro Internacional. Entre escarpas e abutres, uma viagem obrigatória.

Porcos / Pigs


O caso vem em destaque hoje no jornal britânico DAILY TELEGRAPH e no site ANANOVA. E até parece mentira. Uma história baseada na dos 'Três Porquinhos' foi rejeitada por uma organização não-governamental quase aútonoma, uma 'quango', por alegadamente ofender os muçulmanos. A nova história tem o nome de 'Os Três Pequenos Cowboys Construtores' e foi rejeitada num concurso para premiar as melhores iniciativas para crianças. De acordo com o juri, a história em questão não é adequada para as crianças em geral e para as muçulmanas em particular, uma vez que o porco é um animal proibido nessa cultura. Associar a imagem dos suínos aos trabalhadores da área da construção foi outra das graves falhas apontadas a esta história. Entretanto, alguns elementos da comunidade muçulmana do Reino Unido, tudo isto se passou em Newcastle, já se manifestaram contra esta posição, afirmando não se sentir ofendidos. Mas o juri, constituído por 70 pessoas, na sua maioria professores, não voltou atrás na decisão. Resta saber se o facto de a Branca de Neve viver numa casa com sete homens anões não vai ofender a moral e os bons costumes. Ou ainda se os pais do Capuchinho Vermelho não serão alvo de um processo judicial por deixarem a filha andar sozinha no bosque. Ao que se sabe, já existe um mandato de captura em nome da Bruxa Má por envenenamento de maçãs.

A story based on the Three Little Pigs has been rejected by a government quango in case it offends Muslims. The digital remake of the children's classic was criticised by Becta, the education technology agency, because "the use of pigs raises cultural issues". Officials also attacked the story - called The Three Little Cowboy Builders - for stereotyping the building trade, reports the DAILY TELEGRAPH. The controversy was sparked during an awards ceremony designed to honour the best educational stories, programmes and teaching aids for children. In a feedback form, Becta told: "Judges would not recommend this product to the Muslim community in particular. Is it true that all builders are cowboys, builders get their work blown down, and builders are like pigs?" the judges asked.
Muslims criticised Becta's response and insisted that a computer program based on the Three Little Pigs should be welcomed in state schools. Tahir Alam, the head of education at the Muslim Council of Britain, said: "We are not offended by that at all."
Yesterday, the quango stood by the verdict, which was made by 70 independent judges, mainly teachers.

From ANANOVA

Indecisão

A sondagem desta semana aqui no blog está empatada. Parece que não conseguimos decidir se a ameaça terrorista acontece a todos ou se estamos a colocar-nos em bicos de pés para parecer que somos importantes a nível internacional. Mas há mais hipóteses. Obrigado pela participação.

23/01/08

935 Mentiras / Lies


George W. Bush, presidente dos EUA. Dick Cheney, vice-presidente. Colin Powell, secretário de Estado. Condoleezza Rice, conselheira de Segurança Nacional. Donlad Rumsfeld, secretário de Defesa. Paul Wolfowitz, subsecretário de Defesa. Ari Fleisher e Scott McClellan, porta-vozes da Casa Branca. Todos eles são mentirosos. É essa a posição do Center for Public Integrity (Centro para a Integridade Pública), uma organização norte-americana que se prepara para lançar um estudo/livro sobre a guerra no Iraque. De acordo com Charles Lewis, o fundador do centro, no período de dois anos anterior ao conflito no Iraque, estes altos responsáveis norte-americanos terão mentido 935 vezes. Armas de destruição em massa e ligações à Al Qaeda são apenas alguns dos assuntos analisados no relatório que contém estas "mais de 900 declarações que foram o sustento do Governo para a guerra". As palavras são de Bill Buzenberg, director do Centro para a Integridade Pública. Não é esperado que o mesmo estudo seja efectuado em Portugal. Nem é admissível que alguém venha a ser responsabilizado pelas mentiras ditas.
President George W. Bush
and seven of his administration's top officials, including Vice President Dick Cheney, National Security Adviser Condoleezza Rice, and Defense Secretary Donald Rumsfeld, made at least 935 false statements in the two years following September 11, 2001, about the national security threat posed by Saddam Hussein's Iraq. Nearly five years after the U.S. invasion of Iraq, an exhaustive examination of the record shows that the statements were part of an orchestrated campaign that effectively galvanized public opinion and, in the process, led the nation to war under decidedly false pretenses.
On at least 532 separate occasions (in speeches, briefings, interviews, testimony, and the like), Bush and these three key officials, along with Secretary of State Colin Powell, Deputy Defense Secretary Paul Wolfowitz, and White House press secretaries Ari Fleischer and Scott McClellan, stated unequivocally that Iraq had weapons of mass destruction (or was trying to produce or obtain them), links to Al Qaeda, or both. This concerted effort was the underpinning of the Bush administration's case for war.
From CENTER FOR PUBLIC INTEGRITY

Davos lançados



Mais de duas mil pessoas reúnem-se hoje, e até dia 26, para discutir o futuro do Mundo. Todos os anos, em Davos, na Suíça, os mais importantes líderes políticos e financeiros do planeta procuram encontrar soluções para as grandes questões internacionais. Como acontece todos os anos, as expectativas são elevadas. Novas políticas, financiamentos para ajuda humanitária, direitos humanos, queda das bolsas, preço do petróleo, tudo estará em cima da mesa. O momento de esperança anual para um mundo melhor volta a repetir-se. Será desta?

Overdose de acontecimentos


River Phoenix, estrela em 'Stand by me', 23 anos, overdose de heroína e cocaína em 1993. John Belushi, heróis dos 'Blues Brothers', 33 anos, overdose de heroína, cocaína e speeds em 1982. Edie Sedgwick, musa de Andy Warhol, 28 anos, overdose de barbitúricos e álcool em 1971. James Dean, estrela de 'A Leste do Paraíso', 24 anos, acidente de viação em 1955. Bruce Lee, mestre das artes marciais, 32 anos, acidente vascular cerebral em 1973. Brandon Lee, seu filho, 28 anos, atingido por uma bala verdadeira que deveria ter sido falsa em 1993. Marilyn Monroe, sex-symbol, 36 anos, overdose de comprimidos, suicídio ou assassinato em 1962. Rudolph Valentino, o galã do início do século, 31 anos, uma úlcera em 1925. Heath Ledger, 28 anos, cowboy de 'Brokeback Mountain', alegadamente overdose de comprimidos em 2008. Ontem. Estes são apenas alguns exemplos de estrelas que morreram no ponto alto das suas carreiras e das suas vidas. Mas a lista vai continuar. Faz parte do espectáculo.