A lista destas corajosas personalidades está mesmo aqui ao lado.
26/10/09
23/10/09
Fuçabook
Gosto da expressão 'rede social'.
Parece um bando de Chicago nos anos 20, mas sem perseguições automóveis a 30km/h e rajadas de metralhadora contra Dons Corleones traídos pela famiglia.
Estou mesmo a falar do Facebook. Só podia. Ao contrário de alguns iluminados, não tenho nada contra. Permitiu-me descobrir o paradeiro a muito boa gente. Mas não me permitiu descobrir novos amigos. Isso não. Nem conhecidos.
Pura e simplesmente não aceito pedidos de amizade de pessoas que não conheça pessoalmente.
Acho estranho que alguém queira ter acesso aos meus "gosto" e "não gosto", às minhas fotografias e informações sem que tenha, pelo menos uma vez, trocado uma palavra comigo.
De quem conheço e não tenho nada contra, aceito o pedido.
Ou ignoro, se não simpatizar muito.
Quando é de alguém de quem não gosto, mas tive a infelicidade de conhecer... aí sim, fico mesmo com a certeza que isto das redes sociais, é uma Cosa Nostra.
Vou tratar de encomendar umas cabeças de cavalo.
H de Amigo
Lisboa, 23 Outubro 2009 – A Comissão Europeia anunciou os vencedores do concurso de jornalismo “Pela Diversidade. Contra a Discriminação.” em cada um dos estados-membros. Em Portugal, a categoria geral foi ganha pela jornalista São José Almeida, com o texto “Homossexuais Perseguidos no Estado Novo”, publicado no jornal “Público”. O vencedor da categoria especial, para os artigos focados na ligação entre pobreza e discriminação, é Ricardo Rodrigues, que publicou o texto “Pobres como nós” na revista “Notícias Magazine”. Em Portugal, foram admitidos a concurso 18 trabalhos, publicados entre 30 de Novembro de 2008 e 31 de Agosto de 2009 na imprensa escrita e em meios de comunicação on-line.
Estou contente.
Conheço o trabalho de São José Almeida e gosto.
Estou eufórico.
Conheço muito bem o trabalho de Ricardo Rodrigues e adoro.
Nunca sei há quanto tempo é que conheço o Ricardo. Poderia apostar em 9 anos, mas é-me indiferente. Podiam ser 20 ou apenas 1. Conheci-o nos Açores, entre um e outro gin tónico no Peter's. Era de noite, não se via o Pico.
Estávamos num grupo grande de profissionais desta área, uns bem mais interessantes do que outros como se veio a provar pela continuidade de algumas amizades desde esse momento. Há coisas que não se explicam e não são amor: é este caso. Depois dessa "odisseia", continuámos a encontrar-nos, em trabalho pelos mais variados poisos. Auschwitz, Los Angeles, Penedono ou Alqueva foram apenas alguns deles.
Ao longo das viagens, criei pelo Ricardo um sentimento crítico de amizade. Acho que criámos os dois. Dizemos sempre o que pensamos, mesmo quando sabemos que o outro não vai gostar. Aconselhamos calma quando é preciso, atiçamos o fogo quando é necessário, damos e levamos raspanetes cada vez que o merecemos. E isso vai acontecendo.
Recebi esta notícia do prémio atribuído ao Ricardo com o orgulho que se sente como se fosse alguém da nossa família de quem gostamos. Sinceramente, recebi a notícia, como se tivesse sido eu a recebê-lo. E ele sabe disso. O Ricardo merece este prémio.
A reportagem de que se fala, "Pobres como nós" é excelente. Para além do brilhante trabalho de campo e passagem para palavras do autor, é também - com igual nível de elogio - um excelente trabalho fotográfico de Pedro Loureiro, na minha opinião, o grande fotojornalista português. O trabalho destes dois senhores é um dos melhores retratos contemporâneos da realidade da pobreza em Portugal. Além de que o título é fantástico, coisa que sempre me agrada.
Além do poder e do dom da escrita, o Ricardo Rodrigues tem o poder de contar histórias com sentimentos ambíguos. Fala de travestis como se escreve sobre o amor. Repete palavras para marcar ritmos de respiração. Faz pontos onde menos se espera para nos fazer pensar.
Este prémio é de todos os jornalistas, de todas as pessoas, que acreditam que a sua hora de fazer alguma coisa está a chegar.
21/10/09
Judite
Gosto da PJ.
Gosto.
Não tem nada a ver com o facto de morar paredes meias com a Judiciária. Já gostava antes de viver aqui. Confesso que ainda me passou pela cabeça concorrer a inspector da PJ, mas felizmente para a instituição mudei de ideias. Sempre achei que eram os mais inteligentes entre os polícias. Os outros que me perdoem, é apenas uma opinião.
Fico contente quando comprovo que são competentes. São uns tipos profissionais. Ou então têm uma poderosa máquina de marketing. Vou acreditar que é pelo seu valor que, nos últimos cinco anos, tenham apreendido 64,5 toneladas de drogas duras.
Mas há mais números. Durante as comemorações do 64ª aniversário da PJ, o director nacional, Almeida Rodrigues, fez o balanço dos últimos cinco anos:
- cinco mil armas de fogo apreendidas
- 3275 traficantes detidos
- 1153 homicidas
- 149 assaltantes de bancos
- 188 assaltantes de postos de combustível
- 1818 assaltantes à mão armada
- 494 incendiários
- 231 violadores
- 548 abusadores de crianças
- 62 barcos
- três aviões
- 41 imóveis
- 55 milhões de euros
Há que apontar erros quando as coisas correm mal, mas aplaudir quando o trabalho é bem feito e não pensar que esta é somente uma obrigação deles. Até é, mas quem é que não gosta de receber um elogio pelo trabalho bem cumprido?
20/10/09
Caim? Então, levanta-te!
Santa Marta, ColômbiaAcho deliciosa a polémica em torno de 'Caim', o mais recente livro de José Saramago.
Foi lançado ontem e já os sectários de ambos os lados se movimentam. Os apaixonados por Saramago colocam o livro nas nuvens. Os opositores do Nobel massacram-no. Mas será que uns e outros tiveram tempo para ler o livro?
Duvido. O que acontece é que estão a reagir de forma cega às declarações do escritor aquando do lançamento da obra. Saramago fala da Bíblia como um "manual de maus costumes" onde pontificam histórias de incestos, carnificinas, violência. Uns aplaudem, outros horrorizam-se. E então? Do que é que estavam à espera? Que José Saramago elogiasse a religião católica e a igreja dos homens que a tem regido ao longo dos séculos? Só um ignorante poderia pensar em tal coisa.
Saramago é o que é. Escreve como escreve. Goste-se ou não, escreve sobre temas actuais, sobre a solidão, sobre a perseguição, sobre duelos interiores. E sim, escreve sobre religião, sobre as palavras da Bíblia. E depois? Não se pode questionar a Bíblia? Porquê? Dizem que é de inspiração divina, mas esses são outros quinhentos. Quem escreveu a Bíblia foram os homens e não qualquer Deus. E os homens erram e usam as palavras em benefício próprio ou para atemorizar os crentes. Tem sido a história de todas as religiões. A católica não é diferente das outras e não está acima de suspeitas.
Vou ler o livro com a mesma vontade que li o 'Evangelho Segundo Jesus Cristo' ou o "Ensaio Sobre a Cegueira'. E depois terei uma opinião sobre o livro, não sobre o escritor. É pena que outros não façam o mesmo e já estejam a "cagar postas de pescada" sobre a pessoa e não sobre 'Caim'. Seja a favor ou contra.
'Caim' e a Bíblia são obras de ficção. A primeira ainda não li, mas vou fazê-lo. A segunda também não e não tenho intenção de ler. Já vi o filme.
16/10/09
Ó gordo, hoje é Dia Mundial da Alimentação!
Fernando de Noronha, BrasilEu sou do tempo - digo eu com aquele tom de ancestralidade próprio dos idosos - em que havia um ou dois miúdos gordos na turma. Estavam identificados. "Bucha", "Pote de Banha", "Bola", "Gigante" ou "Jô Soares" eram alguns dos mimos que eles e elas tinham que ouvir. Fazia parte. Não me lembro se os pais dessas crianças passavam a vida em psicólogos com os filhos para fazer esquecer o trauma. Na minha Escola Primária era mais fácil encontrar crianças que passavam fome do que com excesso de peso. E eu não estudei na Etiópia, foi mesmo aqui ao lado, nos anos 80, em Setúbal.
Mas eu também sou deste tempo, do tempo em que é publicado o primeiro estudo nacional sobre a obesidade infantil. Sou deste tempo em que, em Portugal, 29% das crianças entre os dois e os cinco anos têm excesso de peso. Um terço das crianças em idade pré-escolar está acima do peso ideal e 12,5% são obesas, ou seja, em Portugal, uma em cada três é gorda e no resto da Europa, é uma em cada cinco. Este estudo é da responsabilidade da Plataforma Contra a Obesidade, vem no DN de hoje e mostra que as raparigas têm maiores problemas neste campo que os rapazes.
O que me revolta mesmo é a estupidez.
É o encher os meninos e as meninas com refrigerantes e bolos, batatas fritas e hambúrgueres, e não os levar a praticar desporto, a brincar fora de casa, a queimar calorias. Já sei, já sei, as exigências da sociedade moderna, os horários de trabalho, a falta de tempo, bla, bla... É muito mais fácil levá-los ao McDonald's do que dar-lhes uma refeição saudável. Pois, é isso.
O que me revolta mesmo é a estupidez.
Isso e o facto de, no Dia Mundial da Alimentação, sabermos que existem 1000 milhões de pessoas que passam fome no Mundo e as nossas crianças terem problemas de obesidade.
15/10/09
"António Raposo - O Professor Sem Diploma" na SIC
Se alguém estiver interessado, o vídeo do programa 'Companhia das Manhãs' está disponível aqui.
14/10/09
Amanhã na SIC
A história de vida de António Raposo volta à baila.
Amanhã, quinta-feira, por volta das 12h no programa "Companhia das Manhãs", na SIC, debatem-se casos de pessoas que viveram vidas falsas no exercício das suas profissões.
Vou lá estar para dar o meu depoimento baseado no livro "António Raposo - O Professor Sem Diploma" publicado há quase um ano pela HF Books.
13/10/09
Maitê Proença
É complicado quando as pessoas têm uma imagem errada de um povo e de um país. Na maior parte dos casos isso acontece por desconhecimento ou por falta de enquadramento histórico e social. Noutros casos, como é o da actriz brasileira Maitê Proença, é por pura ignorância e falta de educação. A senhora em questão faz parte do programa de televisão do GNT, 'Saia Justa' e esteve em Portugal em trabalho. Aproveitou para fazer este apontamento para o canal da Globo sobre Portugal e os portugueses. Aconselho-vos a ver.
Depois de ver esta pérola, enviei a seguinte mensagem para o GNT.
"Acedi há poucos momentos a um vídeo de Maitê Proença gravado em Portugal, na região de Sintra e de Belém, em Lisboa. É curiosa a intervenção da actriz (lamento, mas no "atrasado" Portugal, a profissão ainda se escreve com 'c' antes do 't' e eu vou aproveitar essa regra até ao final). Dizia eu que é curioso o trabalho, apesar de não saber se se pode chamar de trabalho o que Maitê veio cá fazer para o Saia Justa. Curioso porque a senhora decide agredir os portugueses, Portugal e a nossa História (cuspir num monumento nacional e Património Mundial da Humanidade pela UNESCO é de um alto nível de sofisticação só ao nível de algumas das melhores favelas do planeta que, por acaso, existem em abundância nas maiores cidades desse grande país). Estranho que Maitê, tão querida pelos portugueses graças às suas participações nas mais variadas novelas brasileiras, tenha esquecido as boas maneiras e se tenha preparado tão mal para um programa de televisão do GNT. Pela minha parte, de cada vez que essa senhora voltar a Portugal com as suas peças de teatro, campanhas publicitárias, lançamentos de livros ou o que quer que seja, terá o meu boicote. É que nós, os portugueses, somos muito "esquisitos", mas não somos ignorantes nem mal-agradecidos como essa senhora tão bem demonstrou ser."
10/10/09
Civismo
Algures no NepalEu até acho que sou um tipo bem educado.
Gosto de deixar passar primeiro as senhoras em qualquer circunstância, seguro a porta para a pessoa que vem atrás de mim à saída do Vasco da Gama, mesmo que não a conheça e peço sempre licença quando me atravesso entre duas velhinhas a conversar no meio do passeio da Estefânia, apesar de elas se borrifarem para isso.
Quando, nos restaurantes populares a que vou, o empregado põe o toalhete de papel na mesa agradeço sempre. E quando ele traz o copo e os talheres também agradeço. Duas vezes. Uma pelo copo e outra pelo garfo e pela faca, afinal são dois serviços diferentes que merecem um incisivo "obrigado". Chega o prato à mesa e lá vem mais um "obrigado". É chato, confesso que pode ser cansativo, mas já o faço de forma inconsciente. E não me arrependo disso.
Normalmente sou bem recompensado por esse tipo de tratamento. Um sorriso, um "por favor" e um "obrigado" fazem milagres nas relações urbanas, nas repartições públicas, em cafés e restaurantes. Não me custa nada, tenho até algum prazer em agradecer a quem me presta ou serviço ou a quem tenta prestar-me um serviço.
É o caso dos paquistaneses e indianos que circulam pela noite das grandes cidades portuguesas, vendendo rosas embrulhadas em plástico, óculos que se iluminam, tiaras incandescentes ou barulhentos patos em forma de fantoche. Deixo sempre que se aproximem, que digam alguma coisa para, de seguida, os desarmar com um sorriso aberto e um claro "Não, muito obrigado". Resulta sempre, acreditem. Não falha. Eles perdem logo a vontade de dizer "todas por cinco euros". Isso deixa-me duplamente satisfeito. Por um lado, evito aqueles longos minutos de conversação sempre que um engraçadinho presente no grupo decide regatear um euro, que não lhe faz falta absolutamente nenhuma, com um cidadão de um país em vias de desenvolvimento que está a tentar melhorar a sua vida e a da sua família. Por outro lado, sinto que estou a tratar o profissional da venda de rosas e adereços com o respeito que me me merece qualquer pessoa que trabalha.
O exagero de civismo vai ao ponto de ter dado por mim, recentemente, a dizer "não, muito obrigado" a um toxicodependente que estava a mendigar junto aos Restauradores e me pediu uma "ajuda". Isto também já me começa a parecer um pouco demais, mas acreditem que é uma reflexo condicionado. Qual cão de Pavlov, mas sem me salivar, reajo ao estímulo do contacto entre duas pessoas com o reflexo da educação.
Pois então, muito obrigado e até à próxima.
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