Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



23/11/09

Está quase...

Pasaia, Donostia, Euskadi


Lamento o silêncio, mas há momentos em que não é possível conciliar tudo.
Este é um deles.
Dentro de dias, as novidades virão sob a forma de livro, uma boa sugestão para o Natal que se aproxima, se me permitem puxar a brasa à sardinha.

Respiro fundo e volto a mergulhar no teclado.
Obrigado pela paciência.

Até já!

04/11/09

Dom Manuel, o Clemente

Compreendo a posição do Bispo do Porto sobre os casamentos homossexuais.

Compreendo quando D. Manuel Clemente defende um referendo, apesar de o PS querer aprovar a coisa de forma directa na AR.

Compreendo que ele veja esse mecanismo da democracia como "uma possibilidade verdadeiramente admissível".

Compreendo que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo devam ser debatidos, "sem pressas".

Compreendo quando ele diz que o casamento deste género tem "outro significado histórico, é realmente outra coisa".

Até consigo compreender quando o Bispo do Porto fala na "possível geração de filhos e a sua educação" como objectivo do contrato nupcial.

Mas acima de tudo, compreendo D. Manuel Clemente quando ele se refere à necessidade de "uma reflexão mais profunda da sociedade".

Se eu fosse homossexual e, de repente, se abrisse a possibilidade de poder casar livremente com a pessoa que eu quisesse e que me quisesse, também apelaria a uma reflexão.

30/10/09

Um balão chamado desejo

Ilhas Galápagos, Equador


Se um balão nunca deixasse de subir, onde iria parar?

Retiremos da equação todas as condicionantes físicas. Imaginemos um balão a subir no ar, sem parar. Haverá um fim? Existirá uma altura em que bate no tecto e daí não passa?

O universo é infinito, ele poderá subir sempre. Esta parece ser a resposta mais correcta, mais científica, mais aceitável. E nem precisaríamos de discutir mais o assunto, mas o nosso cérebro pode ir mais longe. Deve ir mais longe, tem que ir mais longe, mais acima.

E mais para trás. Como no caso da vida. Se tudo começou com uma célula e a vida é aquilo que conhecemos hoje - bendito Darwin! - o que existia antes de essa célula se ter formado? Quem ou o quê fabricou essa célula? Pode ter sido um acaso da física, pode ter sido uma entidade divina, pode ter sido uma experiência que correu bem. Pode ser tanta coisa...

É aí que se entra na área mágica do cérebro humano, quando já não se consegue idealizar mais nada para trás. Nem mais para cima, como no caso do balão. Essa ginástica mental, esse exercício de superação dá-me adrenalina. Gosto de chegar a esse zona que não sei caracterizar, em que ando às apalpadelas a tentar agarrar-me a qualquer coisa. De cada vez que lá vou, sinto que fui um pouco mais longe, que bati mais um recorde pessoal.

Não é apenas a resposta final que me motiva. O caminho para lá chegar é que me dá gozo.

28/10/09

Angolagate e Gaydamak


Li ontem no Público que "um tribunal de Paris condenou hoje a seis anos de detenção os principais acusados no processo Angolagate, um caso de venda de armas a Angola em meados dos anos 90."

Fiquei a saber que "o francês Pierre Falcone e o israelita de origem russa Arcadi Gaydamak foram condenados a seis anos de detenção. (...) Pierre Falcone foi condenado por tráfico de influências e comércio de armas e o tribunal ordenou a sua detenção imediata, sublinhou a AFP. Gaydamak, o grande ausente neste processo apesar de já ter sido emitido um mandado de detenção contra ele, está na Rússia e foi também condenado por comércio de armas e tráfico de influências. Tanto Falcone como Gaydamak deverão agora apresentar recurso, tal como anunciaram os advogados."

Tudo remonta ao período entre 1993 e 1998, quando os dois foram acusados de vender armas a Angola, "provenientes do antigo bloco soviético, quando o país estava em guerra civil, sem autorização do Estado francês. Charles Pasqua era então ministro do Interior (hoje é senador) e foi condenado a três anos de detenção, dois deles com pena suspensa, e 100 mil euros de multa por tráfico de influências, mas o advogado já anunciou que vai apresentar recurso."

E lembrei-me logo do perfil de Gaydamak que publiquei em Maio de 2006 na revista NS - Notícias Sábado. Vale a pena recordar a história do milionário israelita nascido em Moscovo.


Uma mão lava a outra

Tráfico de armas, droga, influências e diamantes. Proprietário de jornais, clubes desportivos e minas de fosfatos. Multimilionário e perseguido pela Justiça, eis Gaydamak.

Há 11 anos, Arcadi juntou-se ao amigo Pierre e resolveram ganhar algum dinheiro. Forneceram ao estado angolano um carregamento de armas soviéticas no valor de 500 milhões de dólares. Um quinto do valor, alegadamente proveniente dos lucros da companhia petrolífera angolana Sonangol, foi para o seu bolso, era a comissão pelo negócio. Arcadi tem por último nome Gaydamak e defende-se dizendo que tudo não passou de uma transacção comercial entre dois países, Angola e Rússia, mediada em França pelo banco do qual é proprietário. O amigo é Pierre Falcone, empresário com ligações perigosas a Angola, Portugal, França e Brasil. Ambos juram inocência perante a acusação de tráfico de armas e ameaçam processar judicialmente quem disser o contrário. Apesar dos inúmeros problemas com a Justiça, Gaydamak acabou por ser condecorado pelo estado francês com a Ordem Nacional de Mérito. Por outras razões, é certo. O empresário israelita – apesar de portador de passaporte de três outros países – prossegue agora a sua saga milionária, envolvendo-se em negócios de diamantes, petróleo, comunicação social e desporto. É proprietário de jornais, um clube de futebol, outro de basquetebol e tem uma fortuna estimada em mais de três mil milhões de dólares. Mas afinal, de onde vem este homem que pagou em dinheiro vivo 15% da dívida externa angolana à Rússia (no valor de seis mil milhões de dólares), é conselheiro particular de José Eduardo dos Santos, fez um donativo generoso para as vítimas do 11 de Setembro e outro para o exército israelita?

Arcadi Gaydamak, Ari Barlev de nome hebreu, tem duas histórias de vida: a que é contada e difundida pelo próprio e a que se vai sabendo pelas marcas que foi deixando pelo mundo. Vamos à oficial, a autorizada, aquela que foi negociada com um jornalista da cadeia francesa de televisão TF1. Nasceu em Moscovo em 1952, chegou a França com 19 anos, respondendo a um anúncio para pintor de prédios. Passou a tradutor e tomou parte nos acordos de negociação franco-russos sobre o comércio de gás. Diz que entrou no mundo dos negócios através do circo. Eram necessárias empresas de transportes para fazer movimentar as companhias circenses e ele criou-as. Em São Petersburgo, trabalhou nas docas e conheceu as pessoas certas, já que formou uma rede de empresas de segurança com equipas especializadas. Daí a movimentar-se nas altas esferas foi um pequeno passo. Uma verdadeira história de sucesso, portanto.

Agora, a outra versão, a que ele dispensaria: Local e ano de nascimento coincidem. Na adolescência, chega a Israel e instala-se no kibbutz Beit-Hachita. Muda-se para Haifa e encontra trabalho no porto da cidade israelita. Apanha um navio e desembarca em França aos 20 anos. Segue-se um rol de profissões e actividades que terá desempenhado nos anos que se seguiram: operário naval, tradutor e coleccionador de problemas com as Finanças. Depois da queda do Muro de Berlim, tal como tantos outros empresários russos, Gaydamak começa a tomar parte em negócios internacionais ligados ao gás, petróleo, helicópteros e armamento. Hoje, a sua fortuna é mantida graças às minas de fosfato no Cazaquistão, à criação avícola e ao mercado imobiliário na Rússia. Sem contar com a rede de bancos da qual é accionista, a UBS, e o semanário Moscow News. Em negociação está a compra do jornal francês France Soir. A par de tudo isto, este israelita que pode ser anunciado como angolano, canadiano ou russo – graças à diversidade de passaportes de que é portador - carrega uma série de acusações às costas: contrabando de armas em Angola e no Afeganistão, treino de forças paramilitares, tráfico de droga, envolvimento no já referido Angolagate (tornado público em 2000 e do qual também fez parte Jean-Christophe Mitterrand, filho do antigo Presidente da República francesa), fuga ao fisco, especulação imobiliária, branqueamento de capitais e ligações ou máfia russa.

Para manter o seu status e não ir parar à prisão, Gaydamak socorre-se dos melhores advogados que o dinheiro pode pagar e refugia-se numa série de estratagemas e relações perigosas que levam à loucura os seus acusadores. A caridade é um dos instrumentos. As doações que tem feito ao exército israelita e a garantia de emprego para antigos líderes da Mossad (os Serviços Secretos de Israel) permitem-lhe estar seguro no país e não ser enviado para França ou para a Suiça, onde tem mandatos de captura em seu nome. É em Israel que executa algumas das suas ‘obras sociais’. Exemplos disso são a compra de 100% das acções do clube de futebol Beitar de Jerusalém (por 11 milhões de euros), bem como da equipa de basquetebol da mesma cidade, o Hapoel. Outra prova do seu ‘altruísmo’ ocorreu em 1995 quando Arcadi foi fundamental na libertação de dois pilotos franceses capturados pelo exército sérvio na Bósnia. Situação semelhante ocorreria três anos depois na Rússia, dessa vez com o exército tchecheno. E novamente Gaydamak conseguiria a libertação dos prisioneiros franceses. Como? Conhecimentos. Pelas intervenções foi condecorado pelo Estado francês, o mesmo que agora o persegue por tráfico de armas e evasão fiscal – mais de 500 milhões de euros. Gaydamak assume-se como um “homem sem estudos” que conseguiu a sua fortuna através da “sorte”. Sobre as explicações à justiça, Arcadi diz-se “pronto para regressar a França”, que seria “vantajoso explicar-se em tribunal. Mas apenas quando for escolhido outro juiz para o caso”. É que o actual, Philippe Courroye, “manipula a comunicação social contra mim”.

in NS - Notícias Sábado, Maio de 2006

26/10/09

Follow Me

Cá fica o agradecimento merecido a quem decidiu seguir o 'Jornalismo Positivo'.
A lista destas corajosas personalidades está mesmo aqui ao lado.

23/10/09

Fuçabook

Gosto da expressão 'rede social'.
Parece um bando de Chicago nos anos 20, mas sem perseguições automóveis a 30km/h e rajadas de metralhadora contra Dons Corleones traídos pela famiglia.

Estou mesmo a falar do Facebook. Só podia. Ao contrário de alguns iluminados, não tenho nada contra. Permitiu-me descobrir o paradeiro a muito boa gente. Mas não me permitiu descobrir novos amigos. Isso não. Nem conhecidos.

Pura e simplesmente não aceito pedidos de amizade de pessoas que não conheça pessoalmente.
Acho estranho que alguém queira ter acesso aos meus "gosto" e "não gosto", às minhas fotografias e informações sem que tenha, pelo menos uma vez, trocado uma palavra comigo.

De quem conheço e não tenho nada contra, aceito o pedido.
Ou ignoro, se não simpatizar muito.

Quando é de alguém de quem não gosto, mas tive a infelicidade de conhecer... aí sim, fico mesmo com a certeza que isto das redes sociais, é uma Cosa Nostra.

Vou tratar de encomendar umas cabeças de cavalo.

H de Amigo


Olha que dois...


Lisboa, 23 Outubro 2009 – A Comissão Europeia anunciou os vencedores do concurso de jornalismo “Pela Diversidade. Contra a Discriminação.” em cada um dos estados-membros. Em Portugal, a categoria geral foi ganha pela jornalista São José Almeida, com o texto “Homossexuais Perseguidos no Estado Novo”, publicado no jornal “Público”. O vencedor da categoria especial, para os artigos focados na ligação entre pobreza e discriminação, é Ricardo Rodrigues, que publicou o texto “Pobres como nós” na revista “Notícias Magazine”. Em Portugal, foram admitidos a concurso 18 trabalhos, publicados entre 30 de Novembro de 2008 e 31 de Agosto de 2009 na imprensa escrita e em meios de comunicação on-line.

Estou contente.
Conheço o trabalho de São José Almeida e gosto.

Estou eufórico.
Conheço muito bem o trabalho de Ricardo Rodrigues e adoro.

Nunca sei há quanto tempo é que conheço o Ricardo. Poderia apostar em 9 anos, mas é-me indiferente. Podiam ser 20 ou apenas 1. Conheci-o nos Açores, entre um e outro gin tónico no Peter's. Era de noite, não se via o Pico.

Estávamos num grupo grande de profissionais desta área, uns bem mais interessantes do que outros como se veio a provar pela continuidade de algumas amizades desde esse momento. Há coisas que não se explicam e não são amor: é este caso. Depois dessa "odisseia", continuámos a encontrar-nos, em trabalho pelos mais variados poisos. Auschwitz, Los Angeles, Penedono ou Alqueva foram apenas alguns deles.

Ao longo das viagens, criei pelo Ricardo um sentimento crítico de amizade. Acho que criámos os dois. Dizemos sempre o que pensamos, mesmo quando sabemos que o outro não vai gostar. Aconselhamos calma quando é preciso, atiçamos o fogo quando é necessário, damos e levamos raspanetes cada vez que o merecemos. E isso vai acontecendo.

Recebi esta notícia do prémio atribuído ao Ricardo com o orgulho que se sente como se fosse alguém da nossa família de quem gostamos. Sinceramente, recebi a notícia, como se tivesse sido eu a recebê-lo. E ele sabe disso. O Ricardo merece este prémio.

A reportagem de que se fala, "Pobres como nós" é excelente. Para além do brilhante trabalho de campo e passagem para palavras do autor, é também - com igual nível de elogio - um excelente trabalho fotográfico de Pedro Loureiro, na minha opinião, o grande fotojornalista português. O trabalho destes dois senhores é um dos melhores retratos contemporâneos da realidade da pobreza em Portugal. Além de que o título é fantástico, coisa que sempre me agrada.

Além do poder e do dom da escrita, o Ricardo Rodrigues tem o poder de contar histórias com sentimentos ambíguos. Fala de travestis como se escreve sobre o amor. Repete palavras para marcar ritmos de respiração. Faz pontos onde menos se espera para nos fazer pensar.

Este prémio é de todos os jornalistas, de todas as pessoas, que acreditam que a sua hora de fazer alguma coisa está a chegar.

21/10/09

Judite

Gosto da PJ.

Gosto.

Não tem nada a ver com o facto de morar paredes meias com a Judiciária. Já gostava antes de viver aqui. Confesso que ainda me passou pela cabeça concorrer a inspector da PJ, mas felizmente para a instituição mudei de ideias. Sempre achei que eram os mais inteligentes entre os polícias. Os outros que me perdoem, é apenas uma opinião.

Fico contente quando comprovo que são competentes. São uns tipos profissionais. Ou então têm uma poderosa máquina de marketing. Vou acreditar que é pelo seu valor que, nos últimos cinco anos, tenham apreendido 64,5 toneladas de drogas duras.

Mas há mais números. Durante as comemorações do 64ª aniversário da PJ, o director nacional, Almeida Rodrigues, fez o balanço dos últimos cinco anos:

- cinco mil armas de fogo apreendidas
- 3275 traficantes detidos
- 1153 homicidas
- 149 assaltantes de bancos
- 188 assaltantes de postos de combustível
- 1818 assaltantes à mão armada
- 494 incendiários
- 231 violadores
- 548 abusadores de crianças
- 62 barcos
- três aviões
- 41 imóveis
- 55 milhões de euros

Há que apontar erros quando as coisas correm mal, mas aplaudir quando o trabalho é bem feito e não pensar que esta é somente uma obrigação deles. Até é, mas quem é que não gosta de receber um elogio pelo trabalho bem cumprido?

20/10/09

Caim? Então, levanta-te!

Santa Marta, Colômbia

Acho deliciosa a polémica em torno de 'Caim', o mais recente livro de José Saramago.
Foi lançado ontem e já os sectários de ambos os lados se movimentam. Os apaixonados por Saramago colocam o livro nas nuvens. Os opositores do Nobel massacram-no. Mas será que uns e outros tiveram tempo para ler o livro?

Duvido. O que acontece é que estão a reagir de forma cega às declarações do escritor aquando do lançamento da obra. Saramago fala da Bíblia como um "manual de maus costumes" onde pontificam histórias de incestos, carnificinas, violência. Uns aplaudem, outros horrorizam-se. E então? Do que é que estavam à espera? Que José Saramago elogiasse a religião católica e a igreja dos homens que a tem regido ao longo dos séculos? Só um ignorante poderia pensar em tal coisa.

Saramago é o que é. Escreve como escreve. Goste-se ou não, escreve sobre temas actuais, sobre a solidão, sobre a perseguição, sobre duelos interiores. E sim, escreve sobre religião, sobre as palavras da Bíblia. E depois? Não se pode questionar a Bíblia? Porquê? Dizem que é de inspiração divina, mas esses são outros quinhentos. Quem escreveu a Bíblia foram os homens e não qualquer Deus. E os homens erram e usam as palavras em benefício próprio ou para atemorizar os crentes. Tem sido a história de todas as religiões. A católica não é diferente das outras e não está acima de suspeitas.

Vou ler o livro com a mesma vontade que li o 'Evangelho Segundo Jesus Cristo' ou o "Ensaio Sobre a Cegueira'. E depois terei uma opinião sobre o livro, não sobre o escritor. É pena que outros não façam o mesmo e já estejam a "cagar postas de pescada" sobre a pessoa e não sobre 'Caim'. Seja a favor ou contra.

'Caim' e a Bíblia são obras de ficção. A primeira ainda não li, mas vou fazê-lo. A segunda também não e não tenho intenção de ler. Já vi o filme.

16/10/09

Ó gordo, hoje é Dia Mundial da Alimentação!

Fernando de Noronha, Brasil


Eu sou do tempo - digo eu com aquele tom de ancestralidade próprio dos idosos - em que havia um ou dois miúdos gordos na turma. Estavam identificados. "Bucha", "Pote de Banha", "Bola", "Gigante" ou " Soares" eram alguns dos mimos que eles e elas tinham que ouvir. Fazia parte. Não me lembro se os pais dessas crianças passavam a vida em psicólogos com os filhos para fazer esquecer o trauma. Na minha Escola Primária era mais fácil encontrar crianças que passavam fome do que com excesso de peso. E eu não estudei na Etiópia, foi mesmo aqui ao lado, nos anos 80, em Setúbal.

Mas eu também sou deste tempo, do tempo em que é publicado o primeiro estudo nacional sobre a obesidade infantil. Sou deste tempo em que, em Portugal, 29% das crianças entre os dois e os cinco anos têm excesso de peso. Um terço das crianças em idade pré-escolar está acima do peso ideal e 12,5% são obesas, ou seja, em Portugal, uma em cada três é gorda e no resto da Europa, é uma em cada cinco. Este estudo é da responsabilidade da Plataforma Contra a Obesidade, vem no DN de hoje e mostra que as raparigas têm maiores problemas neste campo que os rapazes.

O que me revolta mesmo é a estupidez.
É o encher os meninos e as meninas com refrigerantes e bolos, batatas fritas e hambúrgueres, e não os levar a praticar desporto, a brincar fora de casa, a queimar calorias. Já sei, já sei, as exigências da sociedade moderna, os horários de trabalho, a falta de tempo, bla, bla... É muito mais fácil levá-los ao McDonald's do que dar-lhes uma refeição saudável. Pois, é isso.
O que me revolta mesmo é a estupidez.

Isso e o facto de, no Dia Mundial da Alimentação, sabermos que existem 1000 milhões de pessoas que passam fome no Mundo e as nossas crianças terem problemas de obesidade.