Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



27/07/11

Não vás p'ra fora de pé, filho

Para lá de saber se há vida em Marte ou o que nos irá acontecer a partir do momento em que o coração deixa de bater, há um outro mistério da Humanidade que não me deixa descansar. Já vos digo qual é.

Todos os anos, quando o verão se instala, são milhões os portugueses que se deslocam à praia. Preparam o lanche em casa, tiram as toalhas das gavetas, tentam perceber se ainda cabem nos fatos-de-banho, encolhem a barriga, abençoam os cremes anticelulite que compraram na primavera e fazem-se à estrada. Muitos deles enfrentam quilómetros de filas de trânsito, largos minutos à procura de lugar para estacionar e ainda carregam o guarda-sol, os sacos, brinquedos dos miúdos, jornais e revistas até ao areal.

E é quando chegam à praia que sucede o tal mistério da Humanidade. Bastaria caminharem mais cinco ou dez minutos para um dos lados do areal para encontrarem espaço para eles e suas famílias, mas não. Num acto de sadomasoquismo sem precedentes, estendem as toalhas e toda a parafernália o mais perto possível dos outros banhistas. Até hoje, a ciência não sabe explicar o porquê deste comportamento. Talvez seja o sentido gregário do ser humano, talvez seja o medo do desconhecido, talvez seja comodismo. Certamente, e sem qualquer talvez, é estupidez.

E ali ficam, palrando a bom som, folheando o desportivo ou a revista de fim de semana, mexendo no telemóvel ou banqueteando-se a poucos metros (centímetros se falarmos por exemplo, da praia da Galapos, na Arrábida, caso que posso confirmar) de outros elementos da espécie humana.

Nesse momento torna-se impossível atingir um dos objectivos da ida à praia: descansar.

Claro que também existem praias onde isso não acontece. Nessas, o mal pode surgir com outra roupagem - dá pelo nome de moto de água, esse objecto do Diabo que, para divertimento de uma pessoa, obriga dezenas de outras a suportarem o ruído irritante e contínuo de um motor a funcionar a centenas de metros de distância.

No fundo é essa a razão deste post. Há boas notícias no horizonte.
Normalmente, de Bruxelas chegam medidas geniais como o fim dos galheteiros e das colheres de pau, o abate dos barcos de pesca ou os puxões de orelhas aos deficitários. Desta vez, é a decisão de que os fabricantes de barcos de recreio e motos de água terão que ser mais silenciosos e amigos do ambiente.

E agora vou virar-me para o lado e imaginar que Bruxelas vai impor uma lei contra o ajuntamento na praia de famílias numerosas e barulhentas a menos de 50 metros de qualquer cidadão cumpridor das suas obrigações fiscais.