10/05/08
Levanta-te e ri!
Boavista desce de divisão e leva uma multa de 180 mil euros (coacção sobre árbitros).
João Loureiro suspenso por quatro anos e multa de 25 mil euros.
FC Porto perde seis pontos e paga multa de 150 mil euros (tentativa de corrupção). Pinto da Costa suspenso por dois anos e dez mil euros de multa.
União de Leiria perde três pontos e apanha multa de 40 mil euros.
João Bartolomeu suspenso por um ano e multa de quatro mil euros.
Nos árbitros, penas de suspensão para Augusto Duarte (seis anos), Jacinto Paixão (quatro anos), Martins dos Santos (três anos e meio), José Chilrito e Manuel Quadrado (dois anos e meio) por "corrupção consumada".
Há por aí algum perito em leis que me possa explicar como é que os árbitros são condenados por corrupção consumada e ninguém é condenado por corrupção activa? É que para haver um corrompido tem de haver um corruptor...
E estas suspensões, de que valem? Irradiações do futebol, essas sim poderiam dar o exemplo. Agora, suspensões? Vão continuar a fazer o mesmo, mas agora nos bastidores, sem dar a cara. Os cordelinhos vão continuar a ser puxados, as viagens vão continuar a ser pagas, tal como as prostitutas e os empurrões nas classificações no final de cada época.
Doa a quem doer, o futebol português tem de mudar. Isto ainda não é nada.
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09/05/08
Indy à venda
Passam exactamente 20 anos desde o dia em que O Independente foi para as bancas pela primeira vez. Era sexta, tal como hoje. Só que hoje foi o dia em que os bens e o título do semanário O INDEPENDENTE estiveram em leilão nas antigas instalações do jornal, Avenida Almirante Reis, 113. Depois do fracasso financeiro que levou ao encerramento em definitivo da publicação em Setembro de 2006, hoje foi o dia em que tudo o que restava do Indy esteve em hasta pública. Arquivo do jornal, fotografias, equipamento de escritório, material diverso, mobiliário, fotocopiadoras, computadores, electrodomésticos, a edição encadernada de O Independente desde 1988 até 2005, diversos livros e vários lotes de papel de jornal estiveram à espera de licitações. A base global era de 310 495 euros. As marcas Independente e O Independente tinham um valor base de 25 mil euros e o título do jornal teve como base de licitação 150 mil euros. A dívida total ronda os quatro milhões de euros e entre os credores estão o Estado, ex-trabalhadores, bancos e fornecedores. O valor atingido foi miserável, não chegando aos 20 mil euros no total.
Aquilo que não esteve em leilão foi a amizade, nem o companheirismo, a loucura, a diversão, a anarquia, as discussões acaloradas, os jantares tardios, as praxes, os fechos até altas horas, as directas a trabalhar, os computadores que não paravam de bloquear, os telefonemas históricos para as fontes, o choro, o riso, a paixão, as festas no Tóquio, os copos no Careca, os petiscos na redacção do Caderno 3, as voltas de carro pela Almirante Reis ou os engarrafamentos e as paredes a precisar de pintura nas escadas do prédio. Parabéns a quem teve a honra de lá passar.
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Velhos são os trapos
Chuva no horizonte em quase todo o país. Não será aquele fim-de-semana de sonho em termos meteorológicos, mas podemos torná-lo bem mais apetecível. Aqui ficam, como já é habitual, algumas sugestões para animar os dias que se seguem. Divirtam-se!
1 - Na zona ocidental de Lisboa foi inaugurado o Museu do Oriente. Fica na Doca de Alcântara, a entrada custa 4 euros e vai misturar história com religião, arte e antropologia. Cinema, música, dança, teatro, conferências e muito mais também vão estar na ementa. Um museu que se quer diferente.
2 - Está aí mais uma edição da World Press Photo. As fotografias mais importantes de 2007 vão estar expostas no Museu da Electricidade, em Lisboa. E da mostra também fazem parte os trabalhos referentes ao Prémio de Fotojornalismo Visão/BES. Em Julho, a exposição segue para Portimão.
3 - Acaba de estrear 'Shine a Light'. O filme realizado por Martin Scorsese revela, ao longo de duas horas, uma visão inédita do mundo dos Rolling Stones quando em concerto. Para fãs e não só.
4 - Rui Costa vai deixar de jogar. Domingo, às 20h15, na Catedral da Luz, frente ao Vitória de Setúbal, o futebol português fica sem um dos seus melhores jogadores de sempre numa das épocas mais miseráveis do Benfica. Obrigado, Maestro!
5 - Miranda do Douro. Há posta mirandesa, há o mirandês (a segunda língua oficial de Portugal), há o Douro Internacional e a sua paisagem de sonho. E muito mais! Vale bem uma viagem até lá.
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08/05/08
Cristiano Ronaldo na Sábado
A revista SÁBADO está hoje nas bancas. Da edição desta quinta-feira consta um artigo sobre Cristiano Ronaldo. O melhor futebolista português da actualidade já vai com 40 golos marcados nesta época e no final deste mês será lançado em Portugal o livro 'Cristiano Ronaldo, A verdadeira história do melhor futebolista do planeta'. A autoria é de Tom Oldfield, jornalista inglês ligado ao mundo do futebol. E o prefácio da edição portuguesa é de Aurélio Pereira, o formador de estrelas do Sporting CP. A Sábado traz uma compilação feita por mim de excertos, em primeira mão, do livro da editora Difel que estará à venda a partir de 28 de Maio. A chegada a Lisboa, os problemas familiares ligados ao álcool e às drogas, a adaptação a Manchester, os casos amorosos, a zanga com Ruud van Nistelrooy e o caso Rooney são apenas alguns dos temas tratados. Hoje e até à próxima quinta-feira na Sábado.
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07/05/08
CADA UM TEM O QUE MERECE
À nossa, tio!
José e Laura deixaram Portugal no início do século XX. Estava-lhes no sangue a aventura, o desejo de ter uma vida melhor fora de um país que nem sempre os tratou bem. Entraram num barco e rumaram à América do Sul quando pouca gente pensava em fazê-lo. Na Argentina tiveram um filho. No Uruguai, outro. No Brasil, mais dois. E voltaram a Portugal, 15 anos depois para ter o último filho do casal. Lacier, Heitor, Josué, Arquimedes e Adelino. Por esta ordem.
De Córdoba a Montevideu , de São Paulo a Setúbal, a terra-mãe. Já na Europa, e com os filhos mais velhos a atingir a maioridade, chega a notícia do serviço militar. Tinham que o cumprir nos respectivos países. E a família Matias começou a separar-se. Mas só fisicamente.
Lacier voltou à Argentina, entrou para a Força Aérea, ultrapassou todas as fases, chegou aos postos mais elevados. Casou, teve três filhas - Laura, Inês e Alice - e tornou-se próximo de quem só se ouve falar nos livros de História. Evita e Juan Perón estavam no auge e partilhavam as suas gargalhadas com ele.
Cada vez que os irmãos e as respectivas famílias se reencontravam, fosse no Brasil ou em Portugal, não havia política à mesa. Só as histórias de sempre, as intermináveis sessões de cartada. À frente da mesa de 'crapô', com todas as cartas dispersas ou alinhadas, ele olhava para mim e dizia orgulhoso, no seu português sul-americanizado que teimava em não esquecer: "Capablanca, Capablanca". Era a sua referência, o famoso jogador de xadrez a quem tinham analisado o cérebro e descoberto potencialidades sobre-humanas.
Os dedos das mãos começavam a fechar-se. A atrofia dos tendões é a orgulhosa doença dos homens desta família. Os dedos uns sobre os outros, dobrados, quase que formando um círculo. "Não há problema. Tem o formato perfeito para o copo". E era mesmo verdade. Fosse de vinho branco ou de ginjinha, tinha sempre um copo na mão. Ajustava-se a ele.
Já depois dos 85 anos saíu de casa das filhas, para onde tinha ido morar depois de um segundo casamento que tinha chegado ao fim. Foi viver com um dos netos. Nessa altura, enviava-me emails. Tinha descoberto a internet. Continuava a fazer os seus inúmeros passeios a pé, sempre ligeiramente curvado para a frente, com os braços e as mãos atrás das costas. Sempre em passo rápido e miudinho.
O tio-avô Lacier morreu ontem, quase a chegar aos 92 anos. Se o São Pedro existir, deve estar com os portões escancarados. É que, como ele dizia - mais por graça do que por convicção - "já devo muitos anos ao Senhor". E ria-se com os olhos, afastava-se até à cozinha e enchia o copo mais uma vez para depois voltar com outra história mirabolante.
José e Laura deixaram Portugal no início do século XX. Estava-lhes no sangue a aventura, o desejo de ter uma vida melhor fora de um país que nem sempre os tratou bem. Entraram num barco e rumaram à América do Sul quando pouca gente pensava em fazê-lo. Na Argentina tiveram um filho. No Uruguai, outro. No Brasil, mais dois. E voltaram a Portugal, 15 anos depois para ter o último filho do casal. Lacier, Heitor, Josué, Arquimedes e Adelino. Por esta ordem.
De Córdoba a Montevideu , de São Paulo a Setúbal, a terra-mãe. Já na Europa, e com os filhos mais velhos a atingir a maioridade, chega a notícia do serviço militar. Tinham que o cumprir nos respectivos países. E a família Matias começou a separar-se. Mas só fisicamente.
Lacier voltou à Argentina, entrou para a Força Aérea, ultrapassou todas as fases, chegou aos postos mais elevados. Casou, teve três filhas - Laura, Inês e Alice - e tornou-se próximo de quem só se ouve falar nos livros de História. Evita e Juan Perón estavam no auge e partilhavam as suas gargalhadas com ele.
Cada vez que os irmãos e as respectivas famílias se reencontravam, fosse no Brasil ou em Portugal, não havia política à mesa. Só as histórias de sempre, as intermináveis sessões de cartada. À frente da mesa de 'crapô', com todas as cartas dispersas ou alinhadas, ele olhava para mim e dizia orgulhoso, no seu português sul-americanizado que teimava em não esquecer: "Capablanca, Capablanca". Era a sua referência, o famoso jogador de xadrez a quem tinham analisado o cérebro e descoberto potencialidades sobre-humanas.
Os dedos das mãos começavam a fechar-se. A atrofia dos tendões é a orgulhosa doença dos homens desta família. Os dedos uns sobre os outros, dobrados, quase que formando um círculo. "Não há problema. Tem o formato perfeito para o copo". E era mesmo verdade. Fosse de vinho branco ou de ginjinha, tinha sempre um copo na mão. Ajustava-se a ele.
Já depois dos 85 anos saíu de casa das filhas, para onde tinha ido morar depois de um segundo casamento que tinha chegado ao fim. Foi viver com um dos netos. Nessa altura, enviava-me emails. Tinha descoberto a internet. Continuava a fazer os seus inúmeros passeios a pé, sempre ligeiramente curvado para a frente, com os braços e as mãos atrás das costas. Sempre em passo rápido e miudinho.
O tio-avô Lacier morreu ontem, quase a chegar aos 92 anos. Se o São Pedro existir, deve estar com os portões escancarados. É que, como ele dizia - mais por graça do que por convicção - "já devo muitos anos ao Senhor". E ria-se com os olhos, afastava-se até à cozinha e enchia o copo mais uma vez para depois voltar com outra história mirabolante.
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06/05/08
Bandeira Azul
Aqui pode e deve-se tomar banho neste Verão. Estas são as praias aprovadas com a famosa Bandeira Azul. De Norte para Sul, regiões autónomas incluídas, marinas, praias de mar e fluviais. Bons mergulhos!
Continente
Caminha - Caminha, Moledo
Viana do Castelo - Afife, Arda, Amorosa, Cabedelo, Castelo de Neiva, Carreço, Paçô
Porto - Homem do Leme
Esposende - Ofir, Cepães, Suave Mar, Apúlia
Matosinhos - Quebrada, Marreco, Cabo do Mundo, Pedras do Corgo
Macedo de Cavaleiros - Albufeira do Azibo
Espinho - Baía
V.N. Gaia - Marbelo, Aguda, Granja, Sãozinha, Canide Norte, Canide Sul, Dunas Mar, Francelos, Francemar, Lavadores, Madalena Norte e Sul, Mar e Sol, Miramar, Valadares Norte e Sul, Senhor da Pedra
Ovar - Cortegaça, Furadouro
Murtosa - Torreira
Aveiro - São Jacinto
Ílhavo - Barra, Costa Nova
Vagos - Areão, Vagueira
Mira - Mira, Poço da Cruz
Cantanhede - Tocha
Figueira da Foz - Relógio, Cova Gala, Leirosa
Pombal - Osso da Baleia
JF Aldeia Viçosa - Aldeia Viçosa
Mação - Carvoeiro
Penela - Louçainha
Alcobaça - Légua
Caldas da Rainha - Praia do Mar
Lourinhã - Porto Dinheiro, Vale Mitão
Peniche - Baleal Norte e Sul, Consolação, Cova de Alfarroba, Medão (Supertubos), Gambôa
Torres Vedras - Santa Rita Norte, Centro (Santa Cruz)
Mafra - Calada, Ribeira de Ilhas, São Lourenço, Foz do Lizandro, Baleia
Sintra - Adraga, Grande, Magoito, São Julião
Cascais - Moitas, Grande do Guincho, Crismina, São Pedro do Estoril, Tamariz
Almada - Mata, Rei, Cabana do Pescador, Sereia, Rainha
Sesimbra - Califórnia, Moinho de Baixo (Meco), Ouro
Grândola - Comporta, Aberta Nova, Carvalhal, Pego, Atlântica, Bico das Lulas, Tróia Mar
Santiago do Cacém - Costa de Santo André
Gavião - Quinta do Alamal
Sines - Vasco da Gama, São Torpes, Morgavel, Grande de Porto Covo, Ilha do Pessegueiro
Odemira - Zambujeira, Carvalhal, Vila Nova de Mil Fontes (Furnas)
Aljezur - Arrifana, Monte Clérigo, Odeceixe-Mar
Lagos - Dona Ana, Luz, Meia-Praia
Olhão - Armona Mar
Loulé - Quinta do Lago, Vale de Lobo, Ancão, Vilamoura, Quarteira, Garrão Nascente, Garrão Poente Duna
Faro - Barreta, Culatra-Mar, Ilha do Farol-Mar
Tavira - Barril, Cabanas-Mar, Terra Estreita, Ilha de Tavira-Mar
V.R. Santo António - Santo António, Manta Rota, Monte Gordo, Lota
Portimão - Alvor, Rocha, Três Castelos, Alvor Nascente
Lagoa - Senhora da Rocha, Vale de Centeanes, Caneiros
Albufeira - Galé-Leste, Manuel Lourenço, Evaristo, São Rafael, Aveiros, Oura, Oura Leste, Santa Eulália, Maria Luísa, Olhos d'Água, Belharucas, Falésia, Falésia Alfamar, Rocha Baixinha Oeste e Leste
Açores
Angra do Heroísmo - Cinco Ribeiras, Negrito, Silveira, Salga, Prainha (Angra)
Praia da Vitória - Biscoitos, Escaleiras, Grande, Prainha, Porto Martins
Vila do Porto - Formosa, Maia, São Lourenço
Ponta Delgada - Milícias, Pópulo
Lagoa - Zona Balnear de Lagoa
Vila Franca do Campo - Água d'Alto, Corpo Santo, Prainha de Água d'Alto, Vinha da Areia
Ribeira Grande - Areal de Santa Bárbara
Horta - Almoxarife, Varadouro
Madeira
Calheta - Calheta
Funchal - Barreirinha, Lido, Clube Naval, P. Gorda-P. do Governador, Formosa
Ponta do Sol - Ponta do Sol, Madalena do Mar
Porto Moniz - Porto Moniz
Porto Santo - Fontinha
Ribeira Brava - Ribeira Brava
Santa Cruz - Galo do Mar, Palmeiras
Santana - Ribeira do Faial
São Vicente - Ponta Delgada
Marinas
Viana do Castelo, Cascais, Porto de Recreio de Oeiras, Tróia, Sines, Lagos, Portimão, Vilamoura, Albufeira, Funchal, Quinta do Lorde, Horta, Pêro Teive, Angra, Vila e Praia da Vitória
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Quanto vale uma vida?
No final deste post podem chamar-me demagogo as vezes que quiserem. Será para o lado que vou dormir melhor.
De acordo com as várias agências noticiosas e restantes meios de comunicação, pelo menos 22 mil pessoas morreram na sequência da passagem do ciclone 'Nargis' em Myanmar, ou Birmânia como preferirem. As autoridades do país - as mesmas que não permitem a liberdade de opinião e evitam a democracia a todo o custo perante a passividade da comunidade internacional - admitem que este número pode ainda ser mais elevado. Há 40 mil desaparecidos e dois milhões de pessoas poderão ter sido afectadas por esta calamidade. A situação é tão grave que a Junta Militar que governa este país asiático abriu finalmente as fronteiras para que a ajuda humanitária possa entrar no território.
22 mil mortos, 40 mil desaparecidos, 2 milhões de afectados.
A notícia passa em rodapé nas televisões portuguesas e estrangeiras. Na rádio, leva 15 a 30 segundos a ser comentada. Nos jornais, meia, uma página. Vá lá, um especial de duas páginas na melhor das hipóteses.
22mil mortos, 40 mil desaparecidos, 2 milhões de afectados.
Se fosse na Europa ou nos EUA, o mundo pararia. Não se iria falar de outra coisa: os mártires, as histórias de vida, a solidariedade, a força dos cidadãos, os heróis, o drama, o horror, a catástrofe. Qualquer coisa do género Katrina em New Orleans, atentados de Madrid, Londres ou Nova Iorque. Mas aconteceu em Myanmar, onde a vida de um ser humano não tem o mesmo valor da vida de um ocidental.
De acordo com as várias agências noticiosas e restantes meios de comunicação, pelo menos 22 mil pessoas morreram na sequência da passagem do ciclone 'Nargis' em Myanmar, ou Birmânia como preferirem. As autoridades do país - as mesmas que não permitem a liberdade de opinião e evitam a democracia a todo o custo perante a passividade da comunidade internacional - admitem que este número pode ainda ser mais elevado. Há 40 mil desaparecidos e dois milhões de pessoas poderão ter sido afectadas por esta calamidade. A situação é tão grave que a Junta Militar que governa este país asiático abriu finalmente as fronteiras para que a ajuda humanitária possa entrar no território.
22 mil mortos, 40 mil desaparecidos, 2 milhões de afectados.
A notícia passa em rodapé nas televisões portuguesas e estrangeiras. Na rádio, leva 15 a 30 segundos a ser comentada. Nos jornais, meia, uma página. Vá lá, um especial de duas páginas na melhor das hipóteses.
22mil mortos, 40 mil desaparecidos, 2 milhões de afectados.
Se fosse na Europa ou nos EUA, o mundo pararia. Não se iria falar de outra coisa: os mártires, as histórias de vida, a solidariedade, a força dos cidadãos, os heróis, o drama, o horror, a catástrofe. Qualquer coisa do género Katrina em New Orleans, atentados de Madrid, Londres ou Nova Iorque. Mas aconteceu em Myanmar, onde a vida de um ser humano não tem o mesmo valor da vida de um ocidental.
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05/05/08
El Dorado
De acordo com um relatório da OCDE sobre migrações internacionais, há cinco milhões de portugueses a viver e a trabalhar no estrangeiro. Ao que consta, as coisas em Portugal estão tão más que tiveram de procurar melhores condições de vida fora do país. Estão espalhados um pouco por todo o Mundo, mas qual será, na vossa opinião, o melhor país para se trabalhar? Onde é que um português poderá alcançar melhor resultados? Não esquecer que a falta de produtividade de que somos acusados em território nacional se transforma em consideráveis elogios sempre que passamos a fronteira. Uma semana para votar!
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04/05/08
Quem quer casar com a Carochinha?
As urnas estão encerradas. Não vale a pena votar mais. A 'Namoradinha de Portugal' já está escolhida. De acordo com os leitores do blog, Odete Santos foi a eleita. E cá está uma fotografia sorridente da senhora. A camarada Odete teve 41% dos votos, logo seguida da Primeira Dama. Maria Cavaco Silva recebeu 33% das preferências. Manuela Ferreira Leite, a candidata a líder do PSD, ocupa o terceiro lugar do pódio, com 16%. E quanto à antiga companheira de PCP de Odete Santos, Zita Seabra, ficou em último (8%).
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23:03
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Os chicos-espertos
A edição de hoje do JORNAL DE NOTÍCIAS traz mais uma notícia chocante. Não tem nada a ver com atropelamentos em passadeiras, raptos de crianças, ajustes de contas por causa de terras, crimes passionais com ácido à mistura. Mas é igualmente chocante. De acordo com o JN - podem ler aqui - há 6000 gerentes e directores de empresas em Portugal que declararam às Finanças ganhar apenas o salário mínimo. Nestas empresas, nenhum funcionário tinha um ordenado inferior ao do patrão. Mas há mais. Estes dados são referentes ao ano de 2006, quando o salário mínimo era de 385,90 euros. Com o devidos descontos, estes senhores gerentes e directores levavam para casa 343 euros por mês. Fuga ao fisco, falcatrua, mentira, aldrabice, má-fé, chico-espertismo, falta de carácter, aproveitamento, oportunismo. Chamem o que quiserem. E quem paga os seus impostos devidamente, ainda tem que andar a sustentar estes senhores? Este país já tem problemas que cheguem e não precisa de gente assim. Façam o favor de sair, não fazem cá falta.
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Ricardo Santos
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