Porquê? Why?

Há histórias que têm que ser contadas.
Há exemplos que têm que ser seguidos.
Há personagens que têm que ser desvendadas.
E nós merecemos um jornalismo diferente que nos mostre que ainda vale a pena.



15/05/08

Obviamente, demito-me!


Na mesma edição da revista VISÃO, a de hoje, onde se fala do preço do pão, há mais um brilhante artigo de Ricardo Araújo Pereira. Desta vez, o 'Boca do Inferno' é sobre os jornalistas portugueses que têm escrito sobre ele as maiores mentiras e alarvidades, desde os vícios de luxo às férias paradisíacas. São as inverdades que RAP afirma terem sido escritas sobre ele. E tem toda a razão. Há por aí um tipo de jornalismo que preza a inveja e a mesquinhez, que se importa com o que este ou aquela fazem, o que compram, com quem namoram, de quem se divorciam, com quem discutem, de quem têm filhos, quem atraiçoam e coisas do género.


RAP afirma que já não lê nada do que é escrito sobre ele. Mas há muito quem o faça. O que não faltam são leitores para este tipo de lixo jornalístico. Daí existirem tantas publicações que prezam esses assuntos. O povo gosta, diz quem manda nessas publicações. E nós temos que dar ao povo aquilo que o povo gosta. Mas será que o povo gosta? Ou será que não tem outras alternativas de peso?


De cada vez que os nossos canais televisivos passam um boa reportagem bem feita, sobre um tema actual, imediatamente a seguir ao Telejornal, Jornal da Noite ou Jornal Nacional, as audiências não mentem: o povo assiste, o povo interessa-se. O povo não é burro. Mas é muito mais fácil a quem dirige jornais e revistas da especialidade fazer artigos sobre casas e hábitos de famosos. E é mais fácil ainda encontrar quem as queira fazer.


Há cerca de um ano, fui destacado para fazer um trabalho sobre casas de famosos no Algarve. Onde se localizavam, como eram, quais as características, os preços dos terrenos, os vizinhos, os hábitos. Fi-lo. Depois de publicado, olhei para as páginas impressas e constatei que tinha chegado ao ponto mais baixo da minha carreira. Decidi naquele momento. Preparei o meu futuro profissional e despedi-me.

4 comentários:

rr disse...

dá para assinar por baixo?

Ricardo Santos disse...

com certeza! força!

Anónimo disse...

Ricardo, desculpe, isto é para rir ou para chorar? É que este seu post, tão limpo e aprumado, entra um bocadinho em contradição com o de baixo, sobre essa grande obra-prima da literatura, desculpe, do jornalismo, assinada por um jornalista da Sábado, esse bastião ímpar do jornalismo nacional. É que a pessoa lê um e depois lê o outro, não importa por que ordem, e fica, de facto, de cara à banda e pergunta-se, ainda, como é possível...
Só um pormenor: a direcção dessa revista, e de muitos outros meios de "referência" que por aí andam são dirigidos por gente que veio da maior lixeira a céu aberto deste país: o 24Horas. O povo, realmente, dá para tudo. Sempre deu.

Anónimo disse...

Ricardo, desculpe, isto é para rir ou para chorar? É que este seu post, tão limpo e aprumado, entra um bocadinho em contradição com o de baixo, sobre essa grande obra-prima da literatura, desculpe, do jornalismo, assinada por um jornalista da Sábado, esse bastião ímpar do jornalismo nacional. É que a pessoa lê um e depois lê o outro, não importa por que ordem, e fica, de facto, de cara à banda e pergunta-se, ainda, como é possível...
Só um pormenor: a direcção dessa revista, e de muitos outros meios de "referência" que por aí andam são dirigidos por gente que veio da maior lixeira a céu aberto deste país: o 24Horas. O povo, realmente, dá para tudo. Sempre deu.